quarta-feira, 5 de agosto de 2020

PRIMITIVO OU ZINFANDEL?

Esta postagem foi inspirada pela pergunta formulada pela Cassia Vieira no meu Grupo de whatsapp VinhosItalianos. No específico ela me perguntava se podia falar um pouco da diferença entre Primitivo e Zinfadel.
Efetivamente não posso falar das diferenças porque, apesar de todas as confusões que foram levantadas sobre as origens destas duas castas nos anos passados e que originaram confusão em muitos consumidores sobre a "paternidade", PRIMITIVO E ZINFANDEL SÃO A MESMA COISA. Tentarei explicar melhor este conceito e toda a confusão que orbita entorno desta questão.
1) DADOS CIENTÍFICOS
A descoberta que finalmente esclareceu toda a confusão data de meado de 2001 graças a Dra. Carole Meredith da Universidade da California, Davis, que em colaboração com os colegas croatas Dr. Edi Maletic e Dr. Ivan Pejic da Universidade de Zagreb. Eles através de estudos genéticos conseguiram confirmar que a casta tinta da Croácia Crlenjak Kasteljanski, também conhecida como Tribidrag é idêntica a Zinfandel. Então quem é o pai entre Primitivo e Zinfandel? É uma uva europeia de origem da Croácia.
2) DADOS HISTÓRICOS
A uva croata Crlenjak Kasteljanski chega na Itália, mas exatamente na região da Puglia através do Mar Mediterrâneo já no séc. XIII e la é batizada com o nome de Primitivo (do latim Primativum) pois tinha como característica o amadurecimento adiantado em comparação as outras castas tintas. De fato esta uva amadurece mais ou menos na mesma época do ano que as castas brancas, coisa rara para uma uva tinta. Só por volta de 1820 esta uva chega aos EUA, graças a George Gibbs, inicialmente na região de Boston onde era chamada de Zenfeldel ou Zinfindal, para depois ser levada, por volta de 1949, em plena corrida pelo ouro, na Califórnia, e hoje é amplamente cultivada na Napa Valley e Sonoma Valley.
3) QUESTÕES COMERCIAIS
Normalmente a base de todos estes embates é sempre comercial, mirando os retornos econômicos e de marketing que estas disputas podem oferecer aos produtores e a imagem do universo vinícola como um todo. A Zinfandel é da sempre considerada a uva icônica da Califórnia, muito embora encontramos bons exeplos de vinhos produzidos com esta casta também na Austrália e Nova Zelândia. Ocupa o 10% de toda superfície plantada da Califórnia, tanto que muitos achavam que fosse uma casta autóctone de lá. Obviamente por questões comerciais se criaram muitas confusões seja na Itália que nos EUA quanto a rotulagem dos vinhos: nos anos 60 alguns produtores italianos, interessados na expansão dos mercados internacionais, rotulavam os vinhos Primitivo como Zinfandel, justamente pensando nas potencialidades comerciais do mercado americano. Nos últimos anos estamos assistindo a uma inversão de tendências, tanto que muitos produtores dos EUA estão rotulando vinhos como Primitivo para desfrutar da grande fama que a uva italiana adquiriu a nível internacional nesta última década.
4) CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Fora do âmbito histórico e comercial os vinhos Primitivo e/ou Zinfandel são muitos parecidos, com as diferenças principalmente devidas aos diversos terroirs. 
Os vinhos Zinfandel são ricos e encorpados, porque esta uva tende a amadurecer de forma irregular, e quando chega a época da maturação, dentro do cacho alguns bagos já começam a desidratar, com aparência de uva passa. Isto faz com que as concentrações de açúcares sejam mais elevadas e que os aromas de fruta sejam main intensos. Da mesma forma os vinhos produzidos com a Primitivo, cujo mais importante expoente é o Primitivo di Manduria, tem como principal característica a estrutura, o alto tero alcoólico e os aromas marcantes de ameixas e especiarias. Ambos tem taninos macios, acidez moderada, mais frutados e com resíduo de açúcar mais elevados, o que deixa uma sensação de extrema satisfação na boca.
MINHA CONCLUSÃO
Para fins técnicos os esclarecimentos acima são importantes, mas para fins práticos, ou seja para o consumidor final, o que interessa é ter dois tipos de vinhos de boa qualidade que, apesar de serem produzidos com a mesma uva, podem oferecer sensações diferentes em função das diversas áreas de plantio.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

AS DENOMINAÇÕES DE ORIGEM NA ITÁLIA

O Regulamento do Conselho n. 479 de 29/04/2008 da Comunidade Europeia estabeleceu as regras das denominações de origem dos produtos agroalimentares instituindo as IGPs e as DOPs, porém para os países de maior tradição, como a Itália, a França e a Espanha, que já detinham as próprias classificações, foi permitido manter as "menções tradicionais" já utilizadas, ao lado das novas classificações, de acordo com a escolha de cada produtor.

A finalidade destas denominações é a de tutelar os produtos vitivinícolas e agroalimentares, e a Itália está na linha de frente pois é detentora do maior número de denominações dentro da Comunidade Europeia. Este tipo de selo não implica na registração de um produto específico mas obriga o produtor a seguir regras rígidas para a produção, indicadas em "disciplinares de produção" que são verdadeiras Leis governamentais.

VINHOS

Para os vinhos a Denominação de Origem protegida (DOP) foi instituída para identificar uma área geográfica orientada exclusivamente as práticas vitivinícolas  e para identificar um produto de qualidade cujas características estão diretamente ligadas ao ambiente natural e aos fatores humanos do território de origem. No caso dos vinhos com Identificação Geográfica Protegida (IGP) se intende identificar o nome geográfico de uma área utilizado para identificar o produto oriundo daquela área. Desta forma nas Denominações de Origem Protegidas são incluídas as tradicionais Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG) e Denominazione di Origine (DOC), enquanto as Identificações Geográficas Protegidas correspondem a tradicional Identificazione Geografica Tipica (IGT).

PRODUTOS AGROALIMENTARES

No caso dos produtos agroalimentares as Denominações de Origem Protegidas (DOP) comportam que o produto deve ser originário de uma área específica e suas qualidades e/ou características devem ser estreitamente vinculadas àquele ambiente geográfico de origem, ambiente que deve incluir aspectos naturais e humanos daquele território e, além disso, sua produção, transformação e elaboração deve acontecer no interno da área geográfica limitada.

Já as Identificações Geográficas Protegidas (IGP) atestam, através do nome da região, da cidade ou do lugarejo, o vínculo do produto como originário daquele determinado lugar. Esta origem geográfica deve ser determinante da qualidade, da reputação, e das características dos produtos. Falta, neste caso, o vinculo de exclusividade e de essencialidade entre o produto e o território como determinante  das características do produto. 


domingo, 7 de junho de 2020

MERCADO ITALIANO DO VINHO - RADIOGRAFIA

A agência inglesa Wine Intelligence, uma das mais respeitadas no mundo enológico em questão de pesquisas relativas ao vinho e seu universo, publicou a poucos dias o Report n. 1 sobre "Italy Wine Landscapes 2020", ou seja uma radiografia bem detalhada sobre o mundo do vinho na Itália em 2020.
As informações contidas são realmente muito detalhadas e abrangem vários aspectos do mundo do vinho na Itália, e para tentar simplificar este enorme fluxo de dados, resumirei os principais tópicos:
  • De 50 milhões de consumidores 34 milhões (68%) bebem vinho e pelo menos 28 milhões (56%) bebem uma taça por semana. 1 sobre 3 consumidores de vinho bebem pelo menos uma taça por dia;
  • O consumo per-capita dos vinhos "fermi" (não espumantes e não frisantes) é de 43 litros, só ficando atrás de Portugal (56,4 litros) e França (49 litros);
  • Homens e mulheres dividem de forma quase igual o mercado de consumo, já em relação a faixa etária os 42% dos consumidores tem mais de 55 anos, e o 32% está na faixa entre 18 e 44 anos.
  • Os italianos se demonstraram um povo que tem muita curiosidade pelo vinho, tanto que o 55% quer provar vinhos novos com regularidade, porcentagem que sobe para 69% para pessoas abaixo de 34 anos. 
  • O principal motivo do consumo é relativo ao prazer que ele fornece e ao sabor agradável;
  • o 78% dos consumidores escolhem consumir vinhos da melhor qualidade em relação ao próprio poder de compra e 6 sobre 10 acreditam que uma taça de vinho faça bem para saúde;
  • 1 sobre 2 consumidores acha que o vinho é um fator importante para o  próprio estilo de vida;
  • o 53% acha que os preços dos vinhos comercializados são "razoáveis";
  • as bebidas alcoólicas mais consumidas pelos italianos são o vinho tinto (89% a porcentagem de quem bebeu pelo menos uma vez no último ano). vinho branco (88%), cerveja (85%), spritz (54%), espumantes doces - como Asti Spumante - (45%);
  • Os vinhos brancos mais consumidos pelos italianos: Chardonnay, Pinot bianco, Pinot grigio, Moscato, Falanghina e Verdicchio;
  • Os vinhos tintos mais consumidos pelos italianos: Nero d'Avola, Montepulciano, Lambrusco, Merlot,Sangiovese e Primitivo;
  • As denominações mais conhecidas são o Prosecco Doc (52% é a porcentagem de quem já oviu falar da denominação), Brunello di Montalcino (51%), Montepulciano d'Abruzzo (50%), Chianti (48%), Chianti Classico (45%), Franciacorta (45%), Barolo, Barbera d'Asti e Lambrusco (40%), Asti e Moscato d'Asti (38%), seguidos por primitivo di Manduria, Amarone della Valpolicella, Vermentino di Sardegna, Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore Docg, Oltrepò Pavase, Vino Nobile di Montepulciano, Bardolino, Greco di Tufo e Morellino di Scansano;
  • As marcas mais fortes na Itália, em conformidade ao "Global Wine Brand Power Index" são: Ferrari, Berlucchi, Fontanafredda, Donna Fugata, Cà del Bosco, Mionetto, Feudi di San Gregorio, Valdo, Sella e Mosca, Antinori, Zonin, Mastroberardino, Sassicaia, Duca di Salaparuta e Marchesi di Barolo;
  • no que diz respeito as compras dos últimos 3 meses quem levou a melhor foi o Prosecco Doc (comprado pelo 24% das pessoas que adquiriram vinho), na frente de Montepulciano d'Abruzzo (19%) e Lambrusco (15%);
  • Entre os principais motivos que determinam a escolha do vinho a harmonização com a comida é fator mais importante e o prestigio da denominação e da marca, depois vem o preço, a região de origem e casta, e o grau alcoólico;

quinta-feira, 4 de junho de 2020

ENOCHATOS E SUAS FRASES FAMOSAS

No mundo dos apreciadores de vinhos as vezes nos deparamos com várias definições para identificar as pessoas que estão envolvidas come este fantástico universo.
Temos os enófilos, traduzindo literalmente, os amigos do vinho, para definir as pessoas que gostam do vinho como apreciadores e se dedicam ao aprofundamento dos conceitos do mundo do vinho sem obrigatoriamente ter feito algum curso. 
Temos os enólogos, traduzindo literalmente, os estudiosos do vinho, ou seja as pessoas que depois de estudos aprofundados (na Europa são estudos universitários) se especializam nos processos relacionados a produção e conservação do vinho.
Temos ainda os sommeliers, que hoje em dia indicam as pessoas que nos restaurantes são responsáveis pela administração e serviço das bebidas alcoólicas (neste caso não podemos traduzir literalmente pois a palavra original em francês era utilizada para indicar as pessoas que conduziam os animais de carga).
Além destas temos uma palavra para indicar uma figura icônica também, que são aquelas que apesar de saber pouco ou nada de vinho, SE ACHAM.....estes são os enochatos e viraram tão "importantes" no universo do vinho que a prestigiosa revista "Wine Folly" coletou nos últimos meses as "melhores" respostas ou afirmações feitas pelos enochatos do mundo inteiro e compartilhadas pelos leitores da revista.
Compartilho com vocês algumas das melhores "pérolas" para rir juntos e quem não acha que vinho também é sinônimo de boas risadas......agora com certeza mudará de ideia:
  • "Eu sinto o aroma e agito a água da minha taça entre a degustação de um vinho e outro";
  • "É fácil perceber o aroma do 2% de Petit Verdot presente neste blend"!!!;
  • "Eu não bebo vinho algum que tenha rolha de rosca";
  • Durante uma visita a uma cantina, na área de produção, uma pessoa se queixou que o chão estava molhado;
  • Uma pessoa, depois de ter oxigenado e feito a análise olfativa de um fantástico Brunello di Montalcino 1999, tragou de uma só vez a taça inteira;
  • "Eu vi um sommelier cheirar uma tampa de rosca";
  • Uma pessoa que se dizia profundo conhecedor do Amarone por ter visitado um produtor e ter alugado por duas semanas uma casa na área de produção disse que todas as 7 garrafas que el tinha comprado de um produtor muito famoso estavam estragadas;
  • Durante uma degustação de vinhos franceses um casal se esforçava tanto de pronunciar as palavras em francês que até depois, durante a degustação de outros vinhos, mantiveram o acento francês para falar;
  • Alguém me disse que aquela safra foi caracterizada por fortes ventos pois percebeu o aroma de poeira dos bagos da uva durante a degustação!!!
  • O cheiro do socavo ajuda a limpar o nariz para uma degustação !!!!!
  • Alguém me perguntou se estava servindo um Cabernet e eu respondi que sim, um Cabernet Sauvignon. esta pessoa me respondeu "Não, eu só quero um Cabernet". Aí eu perguntei: "quer então um Cabernet Franc?". Esta pessoa me olhou como se fosse um idiota e me disse: "Cabernet: existe uma baita diferença entre Cabernet Sauvignon e cabernet sem Sauvignon e com certeza você não sabe qual é" !!!!
  • Um amigo do meu marido bebe somente Pinot Noir e não suporta Grenache. Última vez que fomos comer juntos ele pediu um Chateauneuf du Pape

terça-feira, 2 de junho de 2020

BRUNELLO DI MONTALCINO 2015 - SAFRA EXCEPCIONAL

Parece que os Deuses da enologia mais uma vez sorriram para o icônico vinho italiano Brunello di Montacino.
Entre os os vinhos mais conceituados do mundo o Brunello é aquele que mais demora para ser disponibilizado para comercialização (5 anos a partir da vindima, e 6 anos se for Reserva) e isso gera enormes expectativas seja nos produtores que nos fieis consumadores deste néctar de Baco, quando deve-se apresentar ao público uma nova safra. A investida mediática dos produtores começa desde a época da colheita com informações sobre a qualidade das uvas colhidas e a avaliação por parte do Consorcio de Tutela do Brunello que provisiona a safra em base as análises dos vinhos em afinamento...a máquina do marketing do Brunello entra em cena com toda a sua força.
Quanto a nova safra apresentada de Brunello (2015) podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que trata-se de uma safra realmente excepcional: aromas marcantes e excelente harmonia são as palavras chaves para esta safra. Todo ano o que determina a maior ou menor qualidade das safras em Montalcino são as condições climáticas e para esclarecer melhor este ponto em relação à 2015, foram entrevistados alguns produtores de Brunello:
LIVIO SASSETTI/PERTIMALI: Lorenzo Sassetti evidencia que 2015 foi uma estação com um crescente de condições favoráveis. Volumes de chuvas regulares com temperaturas amenas em Julho e Agosto. "Tivemos uma verão relativamente seco mas sem temperaturas exageradamente altas, com suficiente água para as plantas, permitindo uma vindima ótima";
COL D'ORCIA: Francesco Marone Cinzano fala que "O clima do mês de Setembro foi temperado, com boas excursões térmicas entre dias e noites permitindo uma vindima balanceada das uvas"
SIRO PACENTI: Giancarlo Pacenti diz "um verão quente......porém sem estresse para as plantas graças a boas reservas de água presente no solo"
IL POGGIONE: Alessandro Bindocci disse: " Começamos a vindima do Sangiovese para o nosso Brunello em 17 de Setembro. As uvas colhidas demonstraram, imediatamente, uma complexidade aromática muito intensa e uma elegância tânica e de acidez fora do comum. Estes primeiras impressões nos indicaram que a safra era, com certeza, uma das melhores" acrescentando ainda "....para 2015 a chave para fazer um grande vinho  será manter o foco na fruta e na acidez. Sempre afirmamos que a acidez é a espinha dorsal do vinho, especialmente para o Brunello, e do modo especial para safras excepcionais como esta, que devem se manter por muitos anos. Nós somos sortudos que, graças ao nossos vinhedos localizados em áreas mais elevadas, conseguimos alcançar um grau maior de frescor das uvas, independente das condições climáticas. Além do mais, graças a utilização exclusiva de "botti grandi" (barris grandes) a fruta sobressai sobre os taninos da madeira".
Então...está esperando o que para adquirir uma garrafa de Brunello do Montalcino 2015? 



quarta-feira, 27 de maio de 2020

TOSCANA - PRODUÇÃO DE VINHOS 2019

Como não poderia deixar de ser vamos hoje analisar os dados recém publicados pelo ISTAT (Instituto de Estatística italiano) sobre a produção de vinhos da Toscana, uma das regiões mais icônicas da Itália, da última safra (2019).


A tabela acima nos mostra os principais dados relativos a última safra na Toscana: a produção total de vinhos foi de 2,63 milhões de hl. alinhada seja com a média histórica (+1%) que com o resultado do ano anterior (+1%).
Analisando mais pontualmente a tabela podemos ressaltar que, enquanto os vinhos tintos representam o 87% da produção total da Toscana (porcentagem mais alta de toda a Itália em fato de representatividade de vinhos tintos) e aumentaram 1% em comparação ao 2018 e 3% sobre a média histórica dos últimos 10 anos, os brancos ficaram , em volume, abaixo da média histórica de 10%.
Quanto as denominações, apesar dos Docs terem registrado uma flexão de 3% em comparação ao ano anterior, ainda representam o 63% de toda a produção da região, atestando que os vinhos da Toscana são altamente qualitativos e estão alinhados à média histórica; já os Igts tiveram um sensível aumento (+11%) em comparação à 2018, puxados pelo aumento principalmente dos tintos Igt (+15%) com um volume total de 552 mil hl. Os vinhos de mesa também aumentam em volume, seja em comparação ao ano anterior que na média histórica (+20%)

Para finalizar até em função da análise da tabela acima fica fácil afirmar que a Toscana é uma região com alta vocação a produção de vinhos de grande qualidade (Doc=63%), principalmente tintos (87% do total dos quais 57% Doc).

quarta-feira, 20 de maio de 2020

CONSUMO DE VINHOS TOTAIS E PER CAPITA 2019

A OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) acabou de publicar os dados relativos ao consumo mundial de vinhos do ano de 2019, conforme tabela abaixo:


Analisando os resultados acumulados é evidente que o consumo de vinho no mundo está praticamente parado: excluindo uma breve parêntesis em 2017 o volume total não superou os 244 milhões de hectolitros desde 2012. De modo geral o aumento dos consumos de alguns países ricos e culturalmente propensos ao consumo do vinho foi neutralizado pela diminuição de outros países onde, talvez, o consumo era demasiadamente alto ou que não conseguem manter um nível de crescimento constante (China).
Dos primeiros 10 países listados os únicos que registraram uma expansão significativa foram os EUA e Alemanha com +2% a mais que em 2018 (1,6 milhões de hectolitros para os EUA e 0,4 milhões para a Alemanha); já Itália, Espanha, Russia e Argentina registraram pequenos aumentos no consumo (todos abaixo de 1%), enquanto China, Inglaterra, França e Argentina amargaram diminuições, com a China liderando com - 3,2%.
O principal mercado consumidor mundial é os EUA, com um volume anual em 2019 de 33 milhões de hectolitros, com aumentos constantes nos últimos 10 anos: +2% sobre 2018 e +10 sobre a média histórica. Além do mais, considerando a população dos EUA (331 milhões) se evidencia que o consumo per capita é somente de 10 l./ano,  com um potencial muito grande de aumento no futuro.
Por outro lado na China as coisas não parecem tão interessantes: o vinho é consumido por uma pequena fatia da população, tanto que o consumo per capita é somente de 1,2 l./ano (quanto o meu consumo de 4 dias). Tirando o período 2015-2017 quando tivemos 3 anos de aumento contante e de record de consumo, a China nos últimos dois anos perdeu 1,5 milhões de l. Apesar disso aparece na quinta posição mundial.
Analisando o bloco Franca, Itália, Alemanha, Inglaterra e Espanha (segundo, terceiro, quarta, sexto e sétimo lugar) vemos que estes países, juntos, somam 93,6 milhões de hectolitros e cujos consumos aumentaram no último ano. Este bloco é ainda mais interessante pela potencialidade que exprimem pois  o consumo per capita deste bloco é de aproximadamente 10 l./ano (estes cinco países juntos tem 224 milhões de abitantes, aproximadamente a mesma população dos EUA).
Para melhor compreender os números acima abaixo segua a tabela do consumo per capita recém publicada pela OIV:


PRIMITIVO OU ZINFANDEL?