domingo, 17 de junho de 2018

HARMONIZAR ESPUMANTES COM COMIDA

Os vinhos espumantes são normalmente associados a momentos especiais e de festa e com isso esquecemos que as borbulhas são companheiros ideais de muitos pratos do nosso dia-dia. São justamente as borbulhas e suas características típicas da modalidade de vinificação utilizada para obtê-las que rendem estes vinhos extremamente versáteis e aptos a serem consumidos durante o ano inteiro.
Hoje em dia os principais países produtores da Europa (França, Itália e Espanha) e do resto do mundo (Califórnia, Austrália, Chile, Argentina e Brasil) oferecem uma gama de vinhos muito ampla que incluem espumantes produzidos com o método champenoise ou clássico como os Champagnes e os Cremant franceses, os Cava espanhóis ou os Franciacorta italianos e os outros espumantes produzidos com o método Charmat como os Blanc de Blanc e Blanc de Noir e os Prosecco, nas versões tradicionais ou millesimados. Além disso a gama oferecida fica ainda mais ampla quando analisamos os resíduos de açúcares já que os espumantes, independentemente do tipo de vinificação, podem ser, por exemplo, Pás Dosé ou Nature, Brut, extra brut, extra dry, dry o que possibilitam ainda mais a possibilidade de harmonizações com diferentes pratos.
Para uma perfeita harmonização entre espumantes e alimentos devem-se considerar, além das características comuns a todos, como quantidade de álcool (maciez) e quantidade de açúcar (doçura), suas peculiaridades, como: efervescência e acidez. A efervescência dos espumantes é particularmente útil na harmonização para acompanhar pratos que tenham a tendência a ter um  gosto adocicado, como alguns cereais que são ricos em amidos (massa e arroz), verduras e frutos do mar e com pratos gordurosos ou com molhos gordurosos. Já que a acidez presente nos espumantes desenvolve a mesma função da efervescência podemos afirmar que estas duas características presentes nos espumantes trabalham em conjunto contrastando as sensações gustativas gordurosas e tendencialmente doces dos alimentos. Deste jeito um espumante seria o acompanhamento ideal de um risoto aos frutos do mar.
O álcool servirá para contrastar as sensações de suculência dos alimentos, que é a reação fisiológica da salivação induzida por alimentos ricos em proteínas, e aquelas provocadas por alimentos acompanhados de molhos muitos gordurosos, características normalmente encontradas nas carnes vermelhas, nos queijos e em algumas preparações muito elaboradas de peixes. Já a maciez do espumante, determinada também pelo resíduo de açúcar, será muito útil para acompanhar pratos saborosos especialmente aqueles com sabores ácidos e amargos.
Pelas observações acima podemos facilmente afirmar que os espumantes podem facilmente acompanhar qualquer tipo de comida e não serem só confinados a momentos de festa ou celebração, aliás, respeitando a ordem de serviço em função das características intrínsecas, podemos até acompanhar uma inteira refeição somente com espumantes.
TIM-TIM

sexta-feira, 8 de junho de 2018

PRODUÇÃO VINHOS DA ITÁLIA SAFRA 2017 - DADOS DEFINITIVOS

O Instituto Italiano de Estatística (ISTAT) divulgou a pouco os dados definitivos relativos a produção de vinhos na Itália da última safra 2017.


Conforme tabela acima a produção de vinhos totalizou 43,8 milhões de hectolitros em 2017 (que chegaram a 46,1 incluindo os mostos), 15% a menos em comparação a 2016, dados que estão alineados a média histórica do decênio 2007-2016.


Os vinhos brancos diminuem menos que os tintos graças ao espumantes (-12% a 24,1 milhões de hectolitros, mas 9% acima da média), já os tintos ficam abaixo dos 20 milhões de hectolitros, com diminuição de 18% em comparação a 2016 e 8% em relação a média dos últimos dez anos. Se olharmos mais de perto os vinhos brancos DOC só diminuíram 5% em comparação ao ano anterior enquanto são os IGT que mais contribuem com a diminuição total dos brancos (-24%); no comparto dos tintos todas as tipologias estão em queda: os DOC (-18%), os IGT (-23%) e os vinhos comuns (-16%).
Quanto aos dados por tipologia a produção de DOC alcançou 17,4 milhões de hectolitros (10,3 brancos e 7,1 tintos) com uma diminuição de 11% em comparação ao ano anterior, mas sempre acima da média. Já os IGT passaram de 15,3 para 11,8 milhões de hectolitros, com andamento coerente entre os brancos e tintos (6,2 e 5,5 milhões de hectolitros).

Quando se analisam os dados a nível regional, conforme tabela acima, podemos facilmente notar que no Piemonte a produção de 2 milhões de hectolitros ficou 22% abaixo da média histórica e 20% abaixo o volume de 2016, na Toscana (1,9 milhões) houve uma diminuição de 30% na média histórica e de 37% com 2016, no Trentino Alto Adige -15% na média histórica e no Lazio - 24% na média histórica. Mas nem tudo é negativo: algumas regiões do Sul da Itália tiveram tendência contrária: a Puglia que ano passado se confirmou a região de maior produção de vinhos da Itália, superando o Veneto, registrou um volume total de 9,9 milhões de hectolitros (51% acima da média decenal) e o Abruzzo com 3,1 milhões de hectolitros ficou 15% acima da média dos últimos 10 anos.
As regiões do Norte e do Centro da Itália foram aquelas mais afetadas pela queda nos volumes de produção (7% e 24$ abaixo da média decenal) enquanto as regiões do Sul da península registra um crescimento de 17% em comparação as médias dos últimos 10 anos. 

domingo, 3 de junho de 2018

CONSUMOS DE VINHOS TOTAIS E PER CAPITA EM 2017

Os dados recém publicados pela OIV no último press release da organização relatam que o consumo total de vinho cresceu 1 milhão de hectolitros em 2017, no mesmo ritmo dos últimos 2-3 anos. Este aumento junto a diminuição da produção que totalizou 250 milhões de hectolitros criou não poucas tensões no setor: 243 milhões consumidos e 30 milhões, aproximadamente, utilizados para produção de destilados do vinho contra 250 milhões de hectolitros produzidos geraram um deficit de 23 milhões de hectolitros que explica os recentes aumentos dos preços dos vinhos na origem, especialmente daqueles de menor valor.
Os dados por mercado não suscitam nenhuma surpresa inesperada, como mostra a tabela abaixo:


Os EUA continua a distanciar os outros mercados: em 2017, de acordo aos dados da OIV, nos EUA foram consumidos 32,6 milhões de hectolitros com um aumento de 2,8% confirmando a tendência de crescimento dos últimos anos no valor de 2-3% a.a.
A França, segundo mercado a nível global, registrou uma pequena perda de 0,4% em comparação ao ano passado com um volume de 27 milhões de hectolitros, enquanto a Itália, terceiro mercado, registrou um aumento de 0,2 milhões de hectolitros devolvendo o volume total consumido a 22,6 milhões de hectolitros, mesmo que em 2012, igual ao que aconteceu na Alemanha, quarto na classifica do consumo mundial de vinho.
O calculo do consumo na China foi feito por indução, considerando produção local e importação-exportação: deste jeito o volume total de consumo alcançou quase 18 milhões de hectolitros, com aumento de 3,5% em comparação a 2016, aumento este bem maior da média do crescimento registrada nos últimos 5 anos (1% a.a.).
Os mercados que registraram aumentos e parecem ter saído definitivamente das crises internas são Espanha, Austrália e Romênia enquanto Russia e Argentina continuam com suas tendência negativas já registradas nos anos anteriores, com perdas de, respectivamente, 5 e 3% em relação ao 2016.
No Brasil o consumo cresceu quase 6% no último ano levando o volume consumido a 3,5 milhões de hectolitros, mesmo valor de 2015, depois de ter alcançado o volume máximo em 2011 de 3,8 milhões de hectolitros.


Quando analisamos os consumos per capita acima, cujos dados foram calculados pela OIV baseando-se sobre o método da população total (a partir do próximo informativo a OIV decidiu que o calculo será feito com base na população acima de 15 anos) vemos que a tendência geral é de diminuição dos volumes de praticamente quase todos os países, com a França em primeiro lugar com 45 litros por pessoa, seguida pelo Portugal (38,1), Itália (35,8), Suíça (35,3) e Croácia (34,4).
O que desperta uma análise mais aprofundada é o consumo per capita relativamente reduzido de EUA (9,8 litros) e da China (1,2), sinais que estes dois mercados, motores das economias mundiais, tem muito espaço para crescimento.
Quanto ano nosso País o consumo por pessoa estacionou em 1,5 litros com perda de terreno desde 2010 quando o consumo per capita era de 1,9.