terça-feira, 10 de junho de 2025

PRODUÇÃO MUNDIAL DE VINHO EM 2024

Para o vinho, 2024 foi um ano caracterizado pelo sinal de “menos” em nível internacional e global e, portanto, do consumo à produção, da área cultivada com videiras às exportações em valor, tudo diminuiu.

Em termos de produção, em 2024, de acordo com o relatório da OIV, a produção global de vinho, excluindo sucos e mostos, é estimada em 225,8 milhões de hectolitros, uma diminuição de -4,8% em relação a 2023: esse é o segundo ano consecutivo de queda acentuada, e o nível de produção mais baixo desde 1961 (219 milhões de hectolitros), quando as geadas da primavera atingiram os principais vinhedos do sul da Europa, especialmente na França. Assim como em 2023, os eventos climáticos extremos ou atípicos tiveram grande influência na produção global, com geadas precoces, chuvas fortes e secas prolongadas tendo um impacto dramático na produtividade dos vinhedos. Além disso, em algumas regiões, essa baixa produção também reflete a diminuição dos volumes de consumo. Os números de 2024 levam em conta o volume de produção de uvas para vinho colhidas no primeiro semestre de 2024 no Hemisfério Sul e no segundo semestre de 2024 no Hemisfério Norte.

A produção na União Europeia em 2024 foi estimada em 138,3 milhões de hectolitros (-3,5% em relação a 2023), o menor volume de produção registrado desde a virada do século, e também menor do que em 2017 (141,5 milhões de hectolitros). O impacto da mudança climática foi significativo. A Itália se confirma como a maior nação produtora de vinho do mundo e um dos poucos países com um sinal positivo, graças aos 44,1 milhões de hectolitros (+15% em relação a 2023), embora o volume para 2024 ainda seja 6% menor do que a média dos ultimos cinco anos. As condições climáticas adversas afetaram a maioria das regiões vinícolas da Itália, especialmente no norte, onde uma parte significativa dos vinhedos foi atingida por chuvas de granizo. A França, segunda colocada no ranking mundial, produziu um volume de 36,1 milhões de hectolitros em 2024, mas 11,1 milhões de hectolitros (-23,5%) foram perdidos em comparação com 2023 (-17,9% na média de cinco anos, o nível de produção mais baixo desde 1957). A queda na produção de vinho francês em 2024, segundo a OIV, se deve novamente  às condições climáticas adversas em todo o país, desde a floração até a colheita, que afetaram as regiões vinícolas, com problemas como chuvas contínuas, surtos de doenças fúngicas (míldio in primis), floração ruim, seca e tempestades de granizo, reduzindo drasticamente os rendimentos. A Espanha mantém sua posição como o terceiro maior produtor de vinho do mundo, com um volume de produção em 2024 de 31 milhões de hectolitros (+9,3%), mas 11,1% abaixo da média de cinco anos. Esse aumento, impulsionado por colheitas relativamente positivas em Castilla-La Mancha e Extremadura, representa uma recuperação parcial das graves secas de 2023, mas o estresse hídrico contínuo continua sendo um grande desafio para os viticultores. 

Itália, França e Espanha, juntas, respondem por metade da produção mundial de vinho (49,3%). Em quarto lugar estão os Estados Unidos (21,1 milhões de hectolitros, -17,2%, um número influenciado pela safra da Califórnia, a menor desde 2004), à frente da Argentina (10,9 milhões de hectolitros, +23,3%), Austrália (10,2 milhões de hectolitros, +5,3%), Chile (9,3 milhões de hectolitros, -15,6%), África do Sul (8,8 milhões de hectolitros, -5,1%), Alemanha (7,8 milhões de hectolitros, -9,8%) e Portugal (6,9 milhões de hectolitros, -8,2%).

segunda-feira, 9 de junho de 2025

EM 2024 O CONSUMO MUNDIAL DE VINHO DIMINUI

De acordo com as estimativa da OIV (Organização Internacional da Videira e do Vinho) o consumo mundial de vinho em 2024 deve registrar um volume de 214,2 milhões de hectolitros, 3,3% a menos em comparação a 2023. A queda da demanda nos principais mercados, aliada aos altos preços médios impulsionados pelos baixos volumes de produção e pelos efeitos persistentes da inflação passada, dificultou o ano, sem esquecer que a diminuição progressiva do consumo também foi influenciada pela evolução dos estilos de vida, pela mudança de hábitos sociais e pelas mudanças geracionais. Como resultado, quinze dos vinte principais mercados do mundo registraram uma diminuição no consumo em 2024 em comparação com 2023. A União Europeia representa um mercado de vinhos de 103,6 milhões de hectolitros, ou 48% do consumo mundial. (-2,8% em relação ao ano anterior e -5,2% na média de cinco anos).

Nos EUA, o maior mercado de vinhos do mundo, o consumo caiu -5,8% em relação a 2023, para 33,3 milhões de hectolitros. A França continua sendo o principal consumidor de vinho da Europa em 2024, com um consumo estimado de 23 milhões de hectolitros, uma queda de 3,6% em relação a 2023 e 4,9% abaixo da média dos últimos cinco anos. A Itália, o segundo consumidor de vinho da Europa e o terceiro do mundo, registrou um nível de consumo de 22,3 milhões de hectolitros em 2024, um volume em linha com 2023 (+0,1%) e 3,6% abaixo da média de cinco anos. A Alemanha, o terceiro maior mercado da UE, tem um volume de consumo estimado em 17,8 milhões de hectolitros em 2024 (-3% em relação a 2023). O consumo também diminuiu no Reino Unido (12,6 milhões de hectolitros, -1%), mas não na Espanha (+1,2%, para 9,9 milhões de litros) e na Rússia (8,1 milhões de hectolitros, +2,4%), enquanto a hemorragia do consumo na China (o décimo maior consumidor do mundo) continua, caindo para 5,5 milhões de litros em 2024 (-19,3% em relação a 2023): em 2019, o consumo no país do Dragão foi de 15 milhões de litros.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

EM 2024 ITÁLIA RETOMA PRIMAZIA NA PRODUÇÃO MUNDIAL DE VINHOS

44 milhões de hectolitros: esse é o número oficial para a safra italiana de 2024, com base nas soma das comunicações enviadas pelas diversas agências regionais ao Ministério da Agricultura. O aumento de produção de pouco mais que 15% em comparação ao 2023 faz de modo que a Itália retome a primazia entre os países produtores de vinho, ultrapassando a França cujo volume produzido ficou em 36,1 milhões de hectolitros. Do valor total 17,4 milhões foi a produção de vinhos tintos e rosés e 26,5 milhões de brancos e espumantes, além de 200.000 hectolitros de mostos e suco de uva. Quanto a produção por denominação foram produzidos pouco mais de 21 milhões de hectolitros de vinhos DOP, 11,7 milhões de hectolitros de  IGP e 10,7 milhões de hectolitros de vinhos genéricos, confirmando mais uma vez a alta qualidade dos vinhos italianos produzidos (72% dos vinhos são DOCG, DOC e IGT).

quinta-feira, 5 de junho de 2025

EXPORTAÇÕES DE VINHOS ITALIANOS REGISTRAM RECORD EM 2024

 Em um cenário delicado onde as palavras mais populares são queda no consumo, impostos, saúde ou inflação, o vinho italiano se despediu de 2024 com um recorde histórico de exportações em valor, com 8,1 bilhões de euros, +5,5% em relação a 2023, de acordo com dados do ISTAT atualizados á poucos dias. Um crescimento econômico que também é acompanhado por um aumento nos volumes que registraram 2,18 bilhões de litros em 2024 (+3,2% em relação a 2023), mas que deve ser lido à luz do crescimento dos vinhos espumantes, que “roubaram” a participação de mercado dos vinhos tranquilos, com exportações de 555,5 milhões de litros contra os 495,7 em 2023 (+12%), por um valor de 2,3 bilhões de euros (+5%), com os vinhos espumantes agora representando mais de um quarto de todas as exportações de vinho italiano.

Entre os vários países, os EUA se confirmam, de longe, como o primeiro parceiro estrangeiro das vinícolas italianas: enquanto esperam para ver se e quando as temidas taxas prometidas por Trump chegarão, os Estados Unidos importaram 1,9 bilhão de euros em vinho italiano, um aumento de 10,2%, graças sobretudo a um final de ano que, para muitos, é o resultado de uma pequena “corrida ao estoque” justamente para se resguardar do efeito de possíveis impostos. A Alemanha também aumentou seu valor, chegando a 1,18 bilhão de euros (+3,71%), o Reino Unido ficou praticamente estável, com 851 milhões de euros (+1%), o Canadá cresceu para 447,8 milhões de euros (+15,3%), enquanto a Suíça, com 411,1 milhões de euros (-1,96%), e a França, com 304,6 milhões de euros (-0,88%), cederam um pouco. Entre os outros parceiros, a Holanda, com 257,1 milhões de euros (+10,1%), cresceu, assim como a Rússia, com 230,6 milhões de euros, com um salto de +45,6%, enquanto a Bélgica perdeu um pouco, parando em 227,5 milhões de euros (-1,6%). Entre os mercados mais importantes, a Suécia cresceu, chegando a 189,6 milhões de euros (+3%), enquanto o Japão se manteve, com 184,2 milhões de euros (+0,5%), e, ainda na Europa, a Áustria, com 163,5 milhões de euros (+14,3%), e a Dinamarca, com 150,8 milhões de euros (+4,94%), fecharam com sinal positivo. A Noruega, por outro lado, ficou bem abaixo da 'cota 100', com € 92,2 milhões (-10,9%), enquanto, na Ásia, a China parou em € 89,5 milhões, com queda de -10,2% em relação a 2023.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

MARCAS DE CHAMPAGNES MAIS ADMIRADAS NO MUNDO

O champanhe é muito mais do que um vinho espumante: é um emblema cultural e social, celebrado em todo o mundo não apenas por sua qualidade, mas também por seu valor simbólico. A revista norte-americana 'Drinks International', enquanto aguarda a publicação de seu ranking dedicado às principais marcas de vinho do mundo, elaborou 'The World's Most Admired Champagne Brands 2025', agora em sua 12ª edição. O ranking, que tem 12 anos de existência, foi elaborado por nada menos que 40 casas de champanhe, levando em conta a qualidade, a consistência da marca e do marketing, a relação custo-benefício e o nível geral de admiração, entrevistando sommeliers, varejistas, gerentes de bares, Masters of Wine e escritores de vinho no mundo todo.

Pelo sexto ano consecutivo, o título de marca de champanhe mais admirada do mundo foi para Louis Roederer, um champanhe conhecido por sua elegância e refinamento, seguido por Krug, um dos produtores de champanhe mais prestigiados; Bollinger, a primeira Maison a receber o Royal Warrant da Corte da Inglaterra, ou seja, o título de “fornecedor oficial da Casa Real” em 1884, completa o pódio. Billecart-Salmon aparece em 4º lugar, Charles Heidsieck em 5º, Pol Roger em 6º, Ruinart em 7º, enquanto a mais conhecida das marcas de champanhe, Dom Pérignon, aparece em 8º, seguida por Taittinger em 9º e Salon em 10º.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

NOVAS REGRAS À VISTA NA EUROPA PARA ETIQUETAS DOS VINHOS

 A partir de 08/12 deste ano vigorará na Comunidade Europeia o Regulamento UE 2021/2117 que estabelece que as garrafas de vinho comercializadas na União Europeia deverão apresentar informações aos consumidores sobre ingredientes, valores nutricionais, energia utilizada e alergênicos. Afinal de contas vinho é alimento e, desta forma, o vinho se adequaria as regras já aplicadas para os produtos alimentares em termos de informações prestadas aos consumidores sobre os produtos comercializados.

Com exceção do valor nutricional, expresso em quilocalorias e das substâncias alergênicas que DEVEM constar no rótulo, as outras informações PODEM ser apresentadas no rótulo do vinho ou serem fornecidas online através um QR code que deverá constar no rótulo e que remanda á uma pagina específica do produtor onde são contidas as informações em questão. Os vinhos produzidos antes de 08/12/2023 poderão ser comercializados sem se preocupar de apresentar estas novas informações nos rótulos até o termino dos estoques.

Se de um lado as autoridades estão adequando a legislação, os produtores não escondem as próprias perplexidades quanto as problemas burocráticos envolvidos nesta nova operação e ao possível aumento dos custos de produção para se adequar a nova legislação, que implicaria num óbvio aumento dos preços de venda

segunda-feira, 6 de março de 2023

NOVO RECORDE DAS EXPORTAÇÕES DE VINHOS ITALIANOS

2022 fecha com as exportações italianas que batem um novo recorde, superando o volume de 8 bilhões de Euros. Enquanto se espera a publicação dos dados oficiais, dos Consórcios de produção das principais denominações chegam sinais promissores sobre a evolução das exportações.

 Iniciando dos tintos mais prestigiosos o Brunello di Montalcino fechou 2022 com +18% em valor, mas muito bem também se posicionaram o Chianti Classico (+17%), o Barolo com cotações relativas a safra 2018 que chegam perto dos 950 Euro por hectolitro e o Amarone della Valpolicella com um trend EXW de 360 milhões de Euros. Já entre os brancos e os espumantes a DOC delle Venezie se confirma o alicerce do sistema Pinot Grigio, com um aumento de 10% dos faturamentos em 2022, enquanto o Franciacorta confirma a própria predisposição no mercado interno que absorveu o 85% do produto comercializado.

Mas quem rouba a cena não só entre os espumantes mas, em geral, no panorama dos vinhos italianos é o Prosecco DOC, que registra no ano passado um aumento dos volumes produzidos de 1,8% e um aumento mais que proporcional dos valores (+11,5%) registrando um volume de 638,5 milhões de garrafas comercializadas por um business de mais de 3 bilhões de Euros.