terça-feira, 7 de junho de 2022

Valor da produção do vinho no mundo 2021 - Estimativas atualizadas

 As informações que publicarei foram obtidas a partir das informações da OIV atualizadas para 2021 com os preços médios das exportações dos últimos 3 anos dos principais países produtores, de modo a apresentar uma indicação mais correta possível sobre o valor económico da produção de vinho dos vários países.

O ano de 2021 foi caracterizado por dois fatores predominantes: a diminuição do volume produzido de 4% e um leve aumento do preço médio dos vinhos em comparação ao 2020. A França em 2021 perdeu 27% da produção em volume, o que determinou uma diminuição significativa no valor da produção, mas no final das contas o valor global da produção de vinho ano passado foi de 74 bilhões de Euro, o valor menor desde 2015. Desde valor global 24 bilhões são da Franca (-24%), 14 bilhões são da Itália (-9% que corresponde a diminuição do volume produzido) e quase 9 bilhões são dos EUA; os restantes 29 bilhões são divididos entre os outros produtores com Espanha e Austrália com, aproximadamente, 4 bilhões de Euro de valor cada.


Se analisarmos as tendências de médio/longo prazo, com uma média de 3 anos a França corresponde ao 35% do valor do vinho mundial, já a Itália ao 18% e os EUA a pouco mais que 10%. Se analisarmos, porém, as linhas de tendência a Itália parece ser o país com maior crescimento estável, ganhando, em média 880 milhões de Euros em valor, contra os 550 da França e os 500 dos EUA.

Seguem algumas tabelas macro sobre o valor do vinho exportado, a produção em volume e o valor da produção obtida pelo método evidenciado no começo deste artigo:





quinta-feira, 31 de março de 2022

Aumenta o amor dos italianos para com o vinho

 É isso mesmo!! E este é um dado oficial que foi evidenciado ontem em Roma na apresentação da última pesquisa "Os italianos e o vinho" realizada pelo Observatório Vinitaly-Nomisma Wine Monitor e que faz parte dos eventos preparatórios para a próxima VinItaly que será realizada de 10 até 13 de Abril em Verona.

Como antes, melhor que antes: o amor dos italianos para o vinho ainda é grande, até maior que no último período antes do Covid. No último ano o 89% dos italianos bebeu vinho, dado em alta em comparação a 3 anos atrás, graças especialmente ao aumento exponencial de jovens com mais de 18 anos, protagonistas de consumo moderado e consciente. O quadro que se define para os italianos é de uma paixão douradora com o néctar de Baco aonde se acrescenta a natural curiosidade da população mais jovem. Em comparação com 2019, os consumidores pertencentes à Geração Z e Millenials (18-41 anos) aumentaram consideravelmente de número (de 84% para 90%) mas não nas quantidades, enquanto fica estável a incidência dos consumidores da Geração X (42-57 anos) e diminui a cota dos Baby Boomers (mais de 57 anos) que não são mais os primeiros em número (de 95% para 90%) mas continuam em frequência de consumo.

Em comparação com 3 anos atrás são diferentes os contornos de novidades ligados as tipologias mais consumidas. Em conformidade a quanto publicado no estudo a tendência de crescimento mais consistente diz respeito ao consumo de vinhos mixados (principalmente Spitz) que correspondem ao 63% dos consumidores contra o 56% de 2019. Mas os números altos nem sempre correspondem as quantidades: os espumantes, assim como os vinhos roses e o Spitz são objetos de consumo esporádico, especialmente para os consumidores com menos de 40 anos, com só o 20% que os bebes pelos menos uma vez por semana. Bem diferente a situação do vinho tinto, que continua sendo o ponto firme dos consumidores regulares, com cerca o 60% dos Baby Boomers que os bebem 2 o 3 vezes por semana, enquanto 1/3 deles os bebem todos os dias. 

Outras informações interessantes que se destacaram na pesquisa são as escolhas futuras dos consumidores que estão sempre mais voltados para os vinhos biológicos/sustentáveis. Esta categoria detém o maior potencial de crescimento futuro com o 27% da preferência dos consumidores contra uma diminuição de 6% para os vinhos autóctones (de 28 para 22% das preferências), uma revolução green chefiada pelos Millennials (18-41 anos), cuja cota para as escolhas sustentáveis sobe além do 32%, enquanto os autóctones diminuem até 18%. Esta tendência green é clara e amparada pela disponibilidade dos consumidores em gastar até 10% a mais para comprar um vinho que esteja em conformidade com a própria ética e crenças ambientalistas.

Enquanto as regiões preferidas dos consumidores não mudaram muito em comparação ao período pre-Covid, com Veneto, Toscana e Piemonte encabeçando as preferências, seguidas pela Puglia e Sicilia, muda muito o tipo de vinho que os consumidores querem beber no futuro: fáceis de beber, leves, com baixa graduação alcoólica ou "no alcool". 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Exportações de vinho de Itália e França disparam em 2021

Os dados recém publicados pelas respectivas entidades governamentais de Itália e França mostram que ano passado as exportações de vinho dos dois principais países produtores de vinho do mundo tiveram recordes históricos registrando valores maiores aos períodos pre pandemia.
FRANÇA
Os dados publicados pela FEVS (Fedération des exportateurs de vins et spiritueux de France) mostram como o valor das exportações francesas de vinhos atingiu a marca impressionante de 15,5 bilhões de Euros, representando um aumento de 28% em comparação a 2020. O que realmente impressiona é a comparação com os valores das exportações pre pandemia (2019): os vinhos e destilados registraram um aumento em 2021 de 11% atestando que as exportações francesas não somente recuperaram os volumes perdidos durante a Covid, mas chegaram a ultrapassá-los, com todas as categorias de produtos e regiões produtivas registrando dados positivos de crescimento.
A China é o país que mais contribuiu para aumento das exportações francesas: mesmo sendo só o terceiro destino das exportações francesas, atrás dos EUA e Inglaterra, o volume das exportações para China chegou a 1,3 bilhões e Euros, um aumento de 57% em comparação a 2020. Além da diminuição das medidas restritivas ligadas a Covid 19, talvez o motivo principal deste resultato fantástico seja a imposição, por parte do governo chinês, de medidas antidumping sobre as importações de vinho australiano, que chegaram a serem taxados até 218%.
ITÁLIA
Os dados ISTAT (Istituto Nazionale di Statistica) elaborados pelo observatório UIV-Vinitaly-Ismea afirmam que as exportações de vinhos italianos em 2021 registraram um aumento, em valor, de 12,4% em comparação ao ano anterior, com o aumento em volume de 7,7% chegando a 22,2 milhões de hectolitros exportados.
Grande destaque para os vinhos DOP italianos que representam 2/3 das exportações de 2021 e que registram um aumento de 15,8% em valor. Se destacam positivamente, também, os vinhos IGP (+5,4%) e os vinhos comuns (+8,9), levando a categoria de vinhos não espumantes a um trend positivo, em valor, que alcança +12,3%. Melhor que isso só os vinhos espumantes (+25,3%) graças principalmente a um novo record de exportação dos Prosecco (+32%).
Os principais destinos tradicionais dos vinhos italianos registram, todos, sinais positivos: EUA (18,4%) seguido por Alemanha e Inglaterra, já entre os destinos "emergentes" a China registra um +29,2% e a Corai do Sul +75,5%

quinta-feira, 3 de março de 2022

DOP e IGP na Itália: números e valores de 2020

 Desde 2003 os relatórios ISMEA QUALIVITA publicam anualmente uma fotografia detalhada das produções alimentares e vitivinícolas DOP, IGP e STG. O relatório de 2021 analisa o cenário europeu e italiano das DOP e IGP de 2020, os dados produtivos dos setores agroalimentar e vitivinicola, os resultados econômicos por região, os consumos na grande distribuição e a evolução dos produtos de transformação.

Aprofundaremos as informações publicadas somente sobre o setor vitivinicola, lembrando aos leitores menos familiarizados com as denominações que DOP é a denominação europeia para os vinhos e alimentos de maior qualidade (Denominação de Origem Protegida), que na Itália inclui para o setor vinícola as denominações locais DOCG e DOC, e que IGP é a denominação europeia para os vinhos e alimentos com uma menor vinculação territorial (Identificação Geográfica Protegida), que corresponde a denominação italiana IGT para os vinhos. Dito isso, atualmente na Itália os vinhos DOP e IGP são 526: 408 DOP (78 DOCG e 330 DOC) e 118 IGP com um valor, em 2020, de 9,27 bilhões de Euros dos quais 81% (7,49 bilhões) é vinho DOP engarrafado e o restante 19% (1,78 bilhões) é IGP. Esta operação ocupa 113.335 operadores entre viticultores (102,310), produtores (14.870) e engarrafadores (2.947).

As 5 primeiras DOP e IGP em valor eram Prosecco DOP, Delle Venezie DOP, Conegliano Valdobbiadene DOP, Asti DOP e Amarone della Valpolicella DOP, já no que diz respeito aos volumes as primeiras cinco posições são ocupadas por Prosecco DOP, Delle Venezie DOP, Puglia IGP, Montepulciano d'Abruzzo DOP e Sicilia DOP.

Em 2020 os maiores mercados de exportação para os vinhos DOP e IGP italianos foram EUA, Alemanha, Inglaterra, Suíça e Canada por um valor de 5,52 bilhões de Euro, sendo que o 62% das exportações tem como destino os países fora da União Europeia e o 38% dentro da UE.

Os dados das exportações nos últimos dez anos 2010-2020 registam um crescimento vigoroso com os vinhos DOP aumentando em 97% e os IGP 27%. Estes dados só não são melhores porque as exportações dos IGP desde 2017 estão caindo enquanto os DOP só registaram uma pequena queda em 2019. Já em 2020 foi registrada uma diminuição, em valor, das exportações devido a diminuição dos espumantes e dos vinhos DOP não frisantes, causada pela pandemia de Covid 19.

O peso dos vinhos DOP e IGP sobre o total das exportações corresponde ao 83% em valor e 74% em volume, mostrando como estas denominações são importantes a nível internacional porque representam a tutela dos padrões de qualidade dos produtos agroalimentares, além de fornecer aos consumidores garantias sobre as práticas de produção. 

Se analisarmos as informações relativamente as regiões italianas surge que são as regiões do Centro-Norte que mais se beneficiam das vendas de vinhos DOP e IGP, especialmente o Veneto (3,29 bilhões de Euros), o Piemonte (1,02 bilhões), Toscana (1,0 bilhões), Friuli Venezia Giulia (594 milhões) e Trentino Alto Adige (578 milhões).


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

2021 marca a retomada dos Espumantes

 2021 marca a retomada do consumo dos vinhos em geral que, depois das baixas nas vendas registradas em 2020 causa lockdown pela Covid 19, estão reagindo de forma vigorosa retornando ou até melhorando os volumes de 2019. Esta e a tendência registrada em todos os principais países produtores de vinhos, da Itália a França, passando pela Espanha, para todos as categorias de vinhos. 

Os mais prejudicados pela crise de 2020 foram, sem sobra de dúvidas, os espumantes, protagonistas dos consumos fora de casa, e desde sempre sinónimos de festa e celebração, que mais de qualquer outra categoria sentiram na própria pele as consequências das medidas restritivas impostas durante a primeira onda de infecções do Covid. Quem tinha vontade de festejar quando todos estavam sendo infectados por esta misteriosa virose? Começando pela Itália 2021 foi um ano de recordes em conformidade a quanto divulgado pela Coldiretti (Organização dos empresários agrícolas italianos), com mais de 1 bilhões de garrafas produzidas, registrando um aumento de 23% em comparação a 2020. Números expressivos aonde o sistema Prosecco (Prosecco Doc, Asolo Prosecco e Valdobbiadene Prosecco Superiore) é o espumante mais representativo com 753 milhões de garrafas produzidas, dos quais 600 milhões são de Prosecco Doc. O Asti Docg volta a crescer com 102 milhões de garrafas a frente de Franciacorta, Trento Doc e Oltrepó Pavese. O sucesso dos espumantes italianos é fruto do aumento do mercado interno com um valor, de +27% mas também do forte aumento da demanda internacional que, com +29% em comparação a 2020, alcançou o volume de venda de 700 milhões de garrafas.

Se em volumes os espumantes italianos em suas diferentes denominações dominam as exportações, a França é que detém o recorde em valor das exportações de espumantes: graças as exportações e a fidelidade dos consumidores das grandes cuvées, o Champagne alcança, em 2021, um faturamento de 5,5 bilhões de Euros, apesar da média das exportações no período 2020-2021 ficar em 290 milhões de garrafas (4,9 bilhões de faturamento), abaixo de quanto registrado em 2019, período pré pandemia (300 milhões de garrafas por 5 bilhões de faturamento), conforme quanto divulgado por Jean-Marie Barillère, presidente da Union de Maisons de Champagne. Em 2021 as vendas de Champagne alcançaram as 322 milhões de garrafas (+32% em comparação a 2020), com o mercado interno registrando +25% por un total de 142 milhões de garrafas e com exportações em aumento (totalizando 182 milhões de garrafas).

Já o Cava, o método clássico espanhol, fica no meio entre o Prosecco e o Champagne no que diz respeito a produção, faturamentos e preços. Com base nas estimativas publicadas pelo Consejo Regulador da grande denominação espanhola, as vendas de Cava alcançaram 250 milhões de garrafas, com um crescimento de 16,45% em comparação a 2020 e acima dos níveis registrados em 2019. Cresce o mercado interno espanhol, mas de 4 garrafas produzidas 3 são destinadas a exportação, com os EUA que aumentaram o volume em 63%, ficando assim o segundo mercado de destino do Cava, só atrás da Alemanha.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O que está acontecendo em Bordeaux?

Como todos bem sabem quando pronunciamos a palavra Bordeaux, falamos de vinhos, de terroir, de chateau, de glamour, de tradição, de riqueza, enfim falamos da mesma essência dos vinhos franceses, porém mesmo com toda a tradição iniciada "oficialmente" em 1855, que faz desta região talvez a mais conhecida e estimada do mundo em termos de produção de vinhos, algo está mudando, e as vezes de forma drástica.

Primeira notícia que data janeiro de 2021 é que o INAO (Istitut Nacional de l'Origine et de la Qualité), órgão regulador da agricultura na França, aprovou o plantio de seis novas castas na região de Bordeuax, são elas Arinarnoa, Castets, Marselan e Touriga Nacional (tintas) e Alvarinho e Liliorila (brancas). A autorização já valia para plantio em 2021 com algumas restrições: estas castas só poderiam ser utilizadas em vinhos AOC Bordeaux e Bordeaux Superieur, os vinhedos não poderiam passar de 5% do total da propriedade e 10% do blend final dos vinhos. Pela primeira vez em mais de 150 anos o tradicional corte bordalês, composto até então pelas castas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Carmenere, Petit Verdot e Malbec (tintas) e Semillon, Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Muscadelle, Colombard, Ugni Blanc, Merlot Blance Mauzac (brancas) ganha novas opções de uvas. Esta decisão da INAO foi motivada pelo aquecimento global, ou seja a região busca novas castas que se possam adaptar as mudanças climáticas, já que os vinhedos em Bordeaux vem sofrendo com altas temperaturas que superaram os 41 graus no verão de 2019, sem que a qualidade da produção seja afetada. Apesar da motivação ter como finalidade garantir a alta qualidade da produção e volumes que possam satisfazer a demanda internacional sempre crescente deste vinhos, muitos operadores e críticos enxergaram esta medida como uma tentativa de "internacionalizar" a qualidade dos vinhos, tirando a própria essência de Bordeaux, que seria a tradição secular de um sistema que funciona.

Mais recentemente, a partir do verão de 2021, em Saint-Émilion, região do lado direito do rio Garonne, muito famosa pela produção de alguns dos vinhos mais conceituados e caros de Bordeaux, e que detém uma denominação especifica de classificação dos vinhos, que ao contrário do que acontece em Medoc, é atualizada a cada 10 anos (última atualização em 2012) dois dos 4 Chateau que detinham a mais alta classificação da região, Premiere Grand Cru Classé A, Cheval Blanc e Ausone, decidiram retirar as próprias candidaturas para 2022 para continuar na mais prestigiosa denominação de Saint-Émilion, e no começo desta semana a mesma decisão foi tomada por outro Chateau, o Angélus, deixando assim, para a próxima análise da denominação, só o Chateau Pavie o único representante da "velha guarda". Estes movimentos estão deixando o mundo do vinho, especialmente na França, muito apreensivo quanto ao desfecho desta questão, porque está se colocando em discussão um sistema, o do Saint-Émilion, que nasceu para ser mais elastico e mais atualizado que o de Medoc mas que, depois de 6 edições, parece se basear em algumas características que nada tem a ver com o mundo do vinho, como número de enoturistas atraídos pela denominação ou número de seguidores da denominação pelas redes sociais.  O  caso do Chateau Angélus é ainda mais complexo porque parece que a decisão recém tomada seria uma retaliação a decisão da justiça francesa, depois de 10 anos de luta, que condenou Hubert de Bôuard, atual proprietario, por tráfico de influencia por ter sido um dos integrantes do comité que definiram em 2012 os padrões de qualidade para a denominação Premier Grand Cru Classé A, que justamente seu Chateau adquiriu.

Obvio que até o próximo capitulo desta intricada novela o topo da piramide da denominação Saint-Émilion continua a mesma, porém existem críticos que se expressaram seja a favor que contra tal situação: os que apoiam argumentam que uma propriedade deve se destacar não só pela qualidade de seus produtos (ou seja pela características intrinseca do vinho) mas também pelos serviços oferecidos, glamour e fama adquiridos nacionalmente e internacionalmente, medidos também pelo tráfego nas redes sociais ou pelo número de visitas de enoturistas; já os que criticam salientam que o prestigio de um Chateau só diz respeito a qualidade dos produtos ali elaborados como resultado da tradição, do do conhecimento do território e dos processos de produção seculares.

Difícil prever como terminará esta situação, mas, com certeza, vinhos como Chateau Cheval Blanc, cujo vinho da safra 2006 está sendo vendido aqui pela World Wine pela bagatela de R$ 13.600,00, ou Chateau Ausone, vendido pela Wine, safra 2012, a R$ 18.763,53, não precisam de mais alguma denominação para serem ainda mais valorizados.....Será que você deixaria de comprar um vinho só porque não faz mais parte de uma denominação?

sábado, 11 de dezembro de 2021

PRODUÇÃO DE VINHOS 2021

 Recentemente foram publicadas pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) as primeiras estimativas sobre a produção de vinhos a nível mundial de 2021 e, infelizmente, os dados não são nada animadores.

2021 será uma safra com produção muito baixa, com volume estimado de 250 milhões de hl., 6% abaixo da média histórica de 265 milhões de hl. que não foi alcançada nos últimos 2 anos, deixando a produção dos últimos nos últimos 4 anos abaixo da média histórica. Porém, contrariamente a quanto aconteceu em 2019 e 2020, quando foram os países do "novo mundo" a impactarem mais sobre a diminuição da produção mundial, em 2021 foi a Europa que teve as maiores contrações em termos de vinho produzido. Itália, França e Espanha, que normalmente representam quase a metade da produção do vinho mundial (128 milhões de hl.), este ano amargam resultados fortemente negativos que resultam em um deficit de produção agregado de 14 milhões de hl. 

Na Itália a OIV prevê uma produção de 44,5 milhões de hl., 9% a menos que 2020 e 3% abaixo da média histórica, na França a previsão da safra é de 34 milhões de hl., 27,5% abaixo da produção de 2020 e 22% abaixo da média histórica e, fato historicamente relevante, pela primeira vez atrás da Espanha por volume produzido, Espanha que apesar desta "façanha" não pode festejar pois os dados de produção estimados pela safra 2021 sinalizam um volume de 35 milhões de hl., 14% abaixo da produção registrada em 2020 e 6% abaixo da média histórica.



Quanto as estimativas das principais regiões italianas, todas amargam flexões significativas, menos a Sicilia (+9%) e a Campania (+5%), causadas principalmente por eventos atmosféricos adversos como as geadas na primavera, as secas no Sul da Itália unitamente ao aumento das temperaturas durante o último verão que se estendeu outono adentro. No detalhe: Toscana -25%, Lombardia -20%, Umbria e Abruzzo - 18%, Emilia Romagna, Sardegna e Molise -15%, Veneto -7%.

No versante dos preços a situação fica ainda mais tensa, pois, além da diminuição dos volumes produzidos estão sendo registrados aumentos consideráveis sobre todos os materiais utilizados na cadeia produtiva do setor, como papel (+6%), papelão (+35%), vidro (+15%), cortiça (+7%) além de dificuldade, por parte dos produtores mundiais, de fornecer os materiais em face a retomada da demanda após pandemia, que fez com que os prazos de entrega mais que dobrassem. Preparem-se porque virão aumentos por aí e, pelo visto, bem significativos.