sábado, 10 de outubro de 2026

“Top 100 Wines of Italy 2026” by Suckling

Os mercados de vinho estão em dificuldades e a vindima está em pleno andamento, mas já é hora de dar início à temporada dos guias e dos rankings internacionais. E quem coloca a Itália no centro das atenções é o “Top 100 Wines of Italy 2026”, de James Suckling, que, nesta edição, destacou especialmente a safra de 2021 do Brunello di Montalcino, considerada uma das “melhores das últimas duas décadas, com vinhos caracterizados por uma estrutura, frescor e equilíbrio impressionantes”. Não é por acaso que o vinho nº 1 da lista é o Brunello di Montalcino 2021 da Eredi Fuligni, liderada por Roberto Guerrini, uma das vinícolas históricas da região de Montalcino, seguida, na 2ª posição, por outro nome de destaque, como San Filippo, com o Brunello di Montalcino Le Lucere 2021, em um “Top 10” que conta, na 7ª posição, também com o Brunello di Montalcino 2021 da Giodo, a vinícola de Carlo Ferrini, um dos enólogos italianos mais renomados, e de sua filha Bianca. No pódio, na 3ª posição, está, por sua vez, o Barolo Brunate 2022 de Roberto Voerzio, uma das grandes marcas das Langhe (que, juntamente com o Brunello San Filippo Le Lucere 2021, são também os únicos dois vinhos desta edição a terem obtido a pontuação máxima de 100 em 100). Numa classificação que, no entanto, como lembra James Suckling, é elaborada não apenas com base nas pontuações dos vinhos, mas levando em conta também o preço e a disponibilidade no mercado, além de um fator subjetivo: “o que realmente queremos beber e quais vinhos nos emocionam”, pois “afinal, o vinho é feito para ser aberto e degustado à mesa.

Para completar o “Top 10” de 2026, de qualquer forma, há outros grandes clássicos do vinho italiano: na 4ª posição está um dos ícones do Alto Ádige, o Terlaner I Grande Cuvée 2023 da Cantina Terlano, enquanto na 5ª posição está um dos vinhos italianos mais admirados e procurados no mundo, o Sassicaia 2023 da Tenuta San Guido, à frente, na 6ª posição, de outro grande nome das Langhe, G.B. Burlotto, com seu Barolo 2022. Na 8ª posição, novamente o Alto Adige, com outro nome entre os mais famosos da região, J. Hofstätter, com seu Gewürztraminer Alto Adige Vigna Pirchschrait 2016, enquanto na 9ª posição vamos para o Etna, com o Etna Rosso Calderara Sottana Prephylloxera La Vigna di Don Peppino 2024 da Tenuta delle Terre Nere, entre as marcas do “vulcão”, já que na 10ª posição voltamos à Langa, com o Barbaresco Paje Riserva 2021 dos Produttori del Barbaresco, cooperativa frequentemente presente no topo dos rankings internacionais.

Ao analisar a lista dos 100 melhores vinhos segundo James Suckling entre as denominações, há nada menos que 12 — ou seja, mais de 1 em cada 10 — Brunello di Montalcino, todos da safra de 2021, enquanto 9 são Barolos, 7 de Alto Adige, além de 6 de Chianti Classico, 5 de Bolgheri e 5 de Barbaresco. Mas a indicação geográfica mais representada é, de longe, a Toscana IGT, com nada menos que 15 rótulos que abrangem diversos territórios e variedades de uvas, incluindo grandes clássicos produzidos por vinícolas como Montevertine, Marchesi Antinori, Tenuta del Nicchio di Lodovico Antinori, Castello del Terriccio, Tenuta di Biserno (o projeto vinícola dos irmãos Piero, Lodovico e Ilaria Antinori, hoje liderado pelo filho de Ilaria, Niccolò Marzichi Lenzi), Castello di Bossi, Petrolo, Tenuta Sette Ponti da família Moretti Cuseri, Caiarossa, Bibi Graetz, Monteverro, San Giusto a Rentennano, Tenuta di Trinoro, Gorgona di Frescobaldi e Tua Rita.

sábado, 3 de outubro de 2026

EXPORTAÇÃO DE VINHOS ITALIANOS POR REGIÃO - PRIMEIRO SEMESTRE 2026

As exportações de vinho italiano, somando as diversas regiões e territórios do Belpaese, atingiram 3,6 bilhões de euros em valor no período de janeiro a junho de 2026, de acordo com os últimos dados do Istat: um “resultado” que, em comparação com o mesmo período de 2025, registra uma queda de 6,2%, mas é importante ressaltar que, em relação ao primeiro trimestre de 2026, a queda diminuiu, passando, portanto, de -8,2% para -6,2%. As exportações de cada região avançam, no entanto, em ritmos diferentes. Na liderança está o Vêneto, terra do Prosecco, dos vinhos da Valpolicella, do Soave e do Pinot Grigio delle Venezie, entre outros, com 1,3 bilhão de euros em exportações (-8,4%), à frente do Piemonte, que continua em constante crescimento neste ano de 2026: as exportações no semestre atingiram 566,9 milhões de euros para a região “berço” de vinhos icônicos como Barolo e Barbaresco, Barbera d’Asti e Alta Langa, Gavi e Asti, entre outros, conseguindo superar o primeiro semestre de 2025 em +2,4%, com uma tendência ainda melhor do que a do primeiro trimestre de 2026. O Piemonte, que, assim, amplia ainda mais sua vantagem sobre a Toscana, segunda região em 2025 em termos de exportações. Fechando o pódio, portanto, está a Toscana, com joias como o Chianti Classico e o Bolgheri, o IGT Toscana e o Chianti, a Maremma e o Brunello di Montalcino, o Vino Nobile di Montepulciano, mas também a Vernaccia di San Gimignano, com 543,6 milhões de euros, uma queda de 7,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. Vêneto, Piemonte e Toscana em conjunto, atingiram 2,4 bilhões de euros em valor de exportação no semestre, respondendo por quase 67% das remessas de vinhos nacionais para os mercados internacionais.

Na 4ª posição está o Trentino-Alto Ádige/Südtirol, região renomada pelos grandes vinhos brancos e pelo Trentodoc, entre outros, com 265,6 milhões de euros (-12,2%), à frente da Emília-Romanha, outra região que continua a crescer em relação a 2025: +5,6%, totalizando 205,3 milhões de euros para a região que é a terra natal, entre outros, do Lambrusco e do Sangiovese di Romagna. Na 6ª posição está a Lombardia, terra do Franciacorta, do Oltrepò Pavese e de outros vinhos de qualidade, com 152,5 milhões de euros (-7,1%), à frente da Puglia, que conta entre seus vinhos emblemáticos o Primitivo e que apresenta um desempenho positivo, com 121,6 milhões de euros (+6%). Tendência de crescimento no primeiro semestre de 2025 também para o Friuli-Venezia Giulia, com 121,4 milhões de euros (+2,5%), região que se destaca pelos grandes vinhos brancos do Collio e pelo seu Friulano, que “já foi Tocai”, entre outros; já o Abruzzo, território de vinhos importantes como o Montepulciano d’Abruzzo, Trebbiano e Cerasuolo, totaliza 108,5 milhões de euros (-9,5%). Fechando o top 10 está a Sicília, com 78,5 milhões de euros (-5,9%), região com seus muitos territórios emblemáticos, desde o “diamante” Etna até Vittoria, de Menfi a Noto, de Marsala a Pantelleria, onde nascem vinhos de prestígio.



segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A NOVA CARA DO SOMMELIER: CONECTAR O VINHO ÀS PESSOAS

Com 28 anos, natural de Padova, Nicola Martin é o Melhor Sommelier do Veneto de 2026, segundo o prestigioso concurso organizado anualmente pela Associação Italiana de Sommeliers – AIS Veneto. Além de trabalhar como sommelier profissional no restaurante Exforo, em Padova, Martin também adora comunicar nas redes sociais para promover uma maior conscientização do consumidor final e combater a desinformação. Pois, para ele, o papel do sommelier hoje é também sensibilizar as pessoas para a cultura do vinho, sobretudo as novas gerações.

Olhem o que ele respondeu em uma recente entrevista a um canal digital do setor:

QUAL O PAPEL DO SOMMELIER HOJE, SE BASEANDO NA SUA EXPERIÊNCIA?
Acho que, hoje em dia, o sommelier não é simplesmente, como antigamente, aquela figura de atendimento ligada ao vinho que atua exclusivamente em restaurantes, mas também um porta-bandeira, porta-voz e comunicador do cenário vinícola. Para mim, a principal função do sommelier é conectar a vinícola e seu vinho ao consumidor; portanto, ele não desempenha mais um simples papel comercial.
Por isso, muitos sommeliers também se especializam em redes sociais: é preciso sair um pouco do antigo paradigma do vinho.

NA SUA OPINIÃO, COMO DEVE SER A COMUNICAÇÃO SOBRE O VINHO, TANTO À MESA, QUANTO NAS REDES SOCIAIS?
Eu gosto de usar as redes sociais; utilizo-as, por um lado, como “válvula de escape pessoal”, mas também para chamar a atenção dos meus seguidores para certos assuntos.
Faço isso porque vejo que há muita desinformação em geral: pessoas que se autodenominam sommeliers, influenciadores de vinhos, ou que são pagas por algumas empresas para fazer propaganda e conseguem influenciar as decisões de compra dos consumidores. Dito isso, acredito que, antes de tudo, a comunicação deve ser confiável, baseada em fontes sólidas. Precisamos dar peso ao que estamos comunicando e, acima de tudo, precisamos nos modernizar: transmitir uma mensagem mais simples e eficaz. Adoro usar palavras concisas no restaurante, analiso quem está à minha frente e gosto de me adaptar ao interlocutor e às suas necessidades.

COMO MUDOU A RELAÇÃO ENTRE RESTAURAÇÃO, VINHO E CONSUMIDOR?
Certamente, este último ano marcou profundamente a forma como o cliente encara o vinho no restaurante. O cliente consome muito menos, e isso obriga os profissionais do setor, a fazer compras com mais cuidado. Não é mais como há um ou dois anos, quando ter um estoque grande não era um problema. Hoje, o consumidor está muito mais atento ao que bebe, faz muito mais perguntas e é muito mais curioso. Se bebe menos, quer estar mais informado e escolher algo interessante.
Percebo que os percursos de degustação, nos quais me divirto mais porque combino vinho, cerveja, saquê e destilados, tiveram uma queda impressionante nas vendas. As pessoas não estão tanto preocupadas com o que vão beber, mas com a quantidade

COMO VOCES ESTÃO LIDANDO ESTAS MUDANÇAS?
Acho que o futuro está na introdução de combinações sem álcool ou alternativas ao vinho. Por exemplo, na minha seleção de oito taças, incluí três opções alternativas: um chá preto defumado, um suco de uva, uma cerveja e outras bebidas sem álcool. Se o consumo diminuir, precisamos ser ainda mais precisos na pesquisa, pois, se um cliente decidir beber apenas uma taça, essa taça precisa ser realmente gratificante.

QUANTO INCIDE O ASPECTO ECONOMICO NAS ESCOLHA DOS CLIENTES?
Isso certamente faz diferença. Hoje, o cliente acessa o Tannico ou o Google antes mesmo de conversar com o sommelier e verifica o preço da garrafa para saber se está fazendo um bom negócio. Por isso, atualmente, no setor de restaurantes, as margens de lucro devem ser bem ponderadas e escolhidas com cuidado.

QUAL A RELAÇÃO DOS JOVENS COM O VINHO, HOJE EM DIA?
Percebo um grande desinteresse em relação ao vinho. Eles preferem coquetéis, gin tônica, spritz ou, se optam pelo vinho, escolhem as grandes denominações que estão fazendo uma grande campanha de divulgação. É preciso estimular esse interesse e fazer muita divulgação para tirar da cabeça dos jovens a ideia de que o vinho é algo chato. Também acho que é mais interessante ter jovens falando sobre vinho, porque eles estão mais próximos da linguagem deles.

QUE MENSAGEM O SENHOR GOSTARIA DE TRANSMITIR AOS COLEGAS OU AO MUNDO DO VINHO EM GERAL?
É preciso conscientizar as pessoas sobre o consumo responsável de vinho e não se limitar aos preconceitos. O papel do sommelier é cada vez mais importante para promover uma cultura do vinho e divulgá-lo, sobretudo entre as novas gerações. Percebo que também associações como a AIS estão indo na direção certa, simplificando a linguagem e se abrindo para novas tendências, como o orgânico, o biodinâmico e o natural. Agora, é preciso conseguir levar essa mensagem a quem nos ouve.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

EXPORT DE VINHO ITALIANO EM MAIO 2026 A 3 BILHÕES DE EUROS

Após meses de recuperação significativa, em um contexto ainda negativo, a tendência das exportações de vinho italiano em maio de 2026 parece estar se “estabilizando”, pelo menos em termos de valor. No entanto, os principais mercados — dos Estados Unidos à Alemanha e ao Reino Unido — apresentam um desempenho pior do que o registrado no mês anterior, abril. É o que indicam os dados do Istat, publicados no começo do mês de agosto: de janeiro a maio de 2026, as exportações de vinho italiano para o mundo chegaram a quase 3 bilhões de euros (2,98 bilhões de euros), uma queda de 6,86% em relação ao mesmo período de 2025 — um dado percentual que, na verdade, não se afasta da tendência observada em abril de 2026. Em termos de volume exportado, o resultado foi de 809,1 milhões de litros, o que representa uma queda de 5% em relação aos primeiros cinco meses de 2025 — um dado que, aliás, representa uma piora em relação à queda de 3,7% registrada em abril de 2026.

Os Estados Unidos, que representam o principal mercado de exportação do vinho italiano, importaram 709 milhões de euros, e a comparação com 2025 continua amplamente negativa (-15,4%) e em linha com o observado no primeiro quadrimestre de 2026, embora os volumes tenham caído sensivelmente em relação ao último boletim, registrando uma queda de 6% em relação a 2025, totalizando 141,5 milhões de litros. A Alemanha continua sendo o principal mercado europeu e o segundo maior do mundo para o vinho italiano, que registrou exportações de 439,1 milhões de euros (-8,2% em relação a 2025) e um volume de -9,3% (180 milhões de litros). O Reino Unido também registrou queda, para 278,5 milhões de euros (-6,5%), com volumes que, na comparação entre os primeiros cinco meses de 2025 e os de 2026, apresentaram uma redução de 6,6% (88,5 milhões de litros).

A primeira notícia positiva, em termos de desempenho das exportações, vem do Canadá, com 159,5 milhões de euros, mantendo-se estável em relação ao mesmo período de 2025. Em seguida, vêm a Suíça, com 143,8 milhões de euros, que, assim como em abril de 2026, permanece com uma queda de 12,7%, e a França, com 127,1 milhões de euros, que, no entanto, entra em território negativo (-2,9%).

No que diz respeito ao mercado oriental, o Japão se recupera em relação a abril de 2026, e a comparação com 2025 é marcada pela estabilidade (-0,2%), ficando em 99,7 milhões de euros. Excelente, por outro lado, em termos percentuais, é o resultado da China que, apesar de partir de valores mais baixos, atinge 34,1 milhões de euros, um aumento de 18% em relação a 2025. Entre as surpresas positivas, destaca-se também o Brasil, um dos principais mercados emergentes, com 16,9 milhões de euros (+15,2%), enquanto na Austrália as exportações atingiram 23,4 milhões de euros (-16,9%).

Após um mês de janeiro negativo — que também foi afetado pela “corrida às compras” no início de 2025 para evitar as tarifas americanas que acabaram por ser efetivamente aplicadas — e pela “recuperação” nos meses seguintes, mas sempre com um saldo negativo no total, as exportações de vinho italiano em maio de 2026 não geraram, portanto, o salto que se esperava, permanecendo estáveis, em termos de desempenho econômico, em relação ao mês anterior. 

Este ano de 2026, enquanto a atenção do setor se volta para uma colheita que terá de lidar com estoques muito elevados nas vinícolas, se confirma, até o momento, como um ano complicado para o vinho italiano.



segunda-feira, 17 de agosto de 2026

NUNCA TÃO CEDO: NA EUROPA A VINDIMA JÁ COMEÇOU

O calor e a seca anteciparam consideravelmente o início da colheita em grande parte da Europa. Muitas regiões comunicam que em 2026 tivemos as datas mais precoces desde o início dos registros. Muitas vezes, trata-se apenas de locais específicos com clima quente e parcelas de maturação precoce — frequentemente com Chardonnay, Muscat ou uvas destinadas à produção de espumante.

Na França, em 15 de julho, em Fitou, no departamento de Aude, foram colhidas as primeiras uvas Muscat. Esse foi o início da vindima mais precoce já registrado no país. O Roussillon seguiu o mesmo caminho em 23 de julho. Em 6 de agosto, a colheita também começou em uma parcela de Chardonnay em Montgueux, na região de Champagne — onze dias antes do recorde anterior, de 2020. Ao mesmo tempo, Bordeaux iniciou a colheita das uvas para o Crémant, quase duas semanas antes de 2025.

Na Espanha, Lanzarote chegou a iniciar a colheita já na primeira semana de julho. No Penedès, a Gramona começou em 22 de julho, mais cedo do que nunca; a DO La Mancha seguiu em 24 de julho – cerca de duas semanas antes de 2025. Somontano começou doze dias antes em relação ao ano anterior. A Rioja Oriental registrou, em 6 de agosto, o início mais precoce de sua história.

A Itália também registra recordes: na região de Oltrepò Pavese, as primeiras uvas para vinhos base de espumante foram colhidas em 28 de julho, cerca de dez a quatorze dias antes do habitual. A Franciacorta iniciou, em 30 de julho, pela primeira vez na história, a colheita em julho. Nas Langhe (Piemonte), os viticultores começaram no início de agosto e, na Puglia, a colheita teve início em 5 de agosto. Também na Toscana as uvas estão maduras cerca de duas semanas antes em relação aos anos anteriores.

Também de Portugal e da Grécia chegam os primeiros relatos operacionais. Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, a colheita ainda não começou oficialmente, mas também nesses países espera-se um início antecipado. O calor acelera a maturação dos açúcares, enquanto a seca mantém as uvas pequenas e, em alguns locais, chega a interromper a maturação. As diferenças entre variedades, altitudes e parcelas continuam, portanto, significativas.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

VINDIMA 2026 NA ITÁLIA - OS CONSORCIOS DE TUTELA DAS PRINCIPAIS DENOMINAÇÕES REDUZEM OS RENDIMENTOS

 A vindima 2026 está começando, mas nas vinícolas italianas, de modo geral, há mais do que uma safra média em estoque (49,1 milhões de hectolitros em 31 de maio de 2026), e muitas regiões importantes já decidiram ou estão decidindo adotar medidas de contenção e gestão da oferta, principalmente por meio de reduções nos rendimentos em relação ao previsto nos regulamentos, mas também com armazenamento e outras medidas, para conter a produção em uma fase difícil do mercado e também para evitar que o excesso de produto possa fazer os preços dos vinhos a granel caírem.

O Consórcio Toscana IGT enviou à Região da Toscana uma solicitação para reduzir os rendimentos em 20% em relação ao previsto no disciplinar de produção: de 17 para 13,6 toneladas por hectare para os vinhos brancos e de 16 para 12,8 para os vinhos tintos Toscana IGT. Um caminho, ainda na Toscana, já trilhado por diversos consórcios. Como o do Brunello di Montalcino, que há algum tempo decidiu reduzir o rendimento de 8 para 7 Toneladas por hectare até 2026, ou como o do Chianti, que confirmou, assim como em 2025, a solicitação de redução de 20% nos rendimentos, para todas as variedades, também neste caso aguardando aprovação da Região. Assim como a solicitação apresentada pelo Chianti Classico, que, também neste caso, assim como no ano passado, pediu a redução de 1 Ton. por hectare, de 7,5 para 6,5, ou, alternativamente, a possibilidade de as vinícolas não reduzirem a produção de uvas, mas desclassificarem uma quantidade equivalente de produção de vinho das três safras anteriores.

No Vêneto, por outro lado, o Consórcio de Tutela da Valpolicella já havia deliberado, a partir de 2025 e por um período de três anos, uma redução no rendimento por hectare de 12 para 10 Tons de uva, dos quais 2 destinados ao armazenamento. Já a maior denominação de vinhos brancos da Itália, a do Pinot Grigio delle Venezie (27.000 hectares entre Veneto, Friuli-Venezia Giulia e Alto Adige), aprovou, para a colheita de 2026, uma redução dos rendimentos para 16 Tons por hectare, dos quais 3 destinados ao armazenamento administrativo. 

No Piemonte, o Consórcio do Barolo, Barbaresco, Alba, Langhe e Dogliani aprovou uma redução de 10% (para 9 Tons por hectare) para o Langhe Nebbiolo e o Barbera d’Alba DOC, mas, por enquanto, não estão previstas reduções de rendimento para os Nebbiolo destinados ao Barolo e ao Barbaresco. Já o consórcio da Barbera d’Asti e Vini del Monferrato decidiu reduzir o rendimento da Barbera d’Asti de 9 para 8,5 Tons por hectare e o excedente da safra de 1,8 para 0,5 Tons, o que significa que, na prática, cada hectare de Barbera poderá produzir, no máximo, 9 Tons, e não 11,8 conforme previsto no regulamento.

Trata-se, obviamente, de um panorama parcial e provisório, mas que dá uma ideia de como um vinho italiano vem aproveitando todas as oportunidades para reequilibrar a oferta e a demanda e defender os valores do produto (e, consequentemente, dos terrenos) em uma fase, já prolongada, de grande complexidade.



domingo, 26 de julho de 2026

VINHO TINTO NO VERÃO? PODE-SE BEBER UM POUCO MAIS FRIO

Vinho tinto? No verão, bebe-se um pouco mais frio. Uma tendência cada vez mais difundida (e um tabu que já não é mais considerado tal).

Se até poucos anos atrás essa prática era considerada herética pelos sommeliers mais ortodoxos, agora está se tornando uma tendência cada vez mais difundida: o vinho tinto no verão pode ser servido gelado. Perfeito para churrascos, aperitivos e jantares ao ar livre, o tinto “resfriado” se torna uma escolha de estilo, quebrando um dos maiores tabus do serviço. Isso é confirmado por sommeliers de renome, como Paolo Porfidio (Excelsior Hotel Gallia, Milão), segundo o qual “também é agradável saborear uma taça de Brunello di Montalcino ou de Barolo no verão, na temperatura certa”, como Sebastien Ferrara (Enrico Bartolini al Mudec, Milão), que afirma que “servir um grande tinto a uma temperatura em torno de 13-14 °C não é mais um tabu, mas um ato de atenção e acolhimento”, ou como Marco Reitano (La Pergola de Heinz Beck, em Roma), segundo o qual “nosso paladar anseia por frescor; no vinho tinto, todos nós gostaríamos de encontrar um pouquinho de branco”.

Mas essa tendência também é apoiada pelos enólogos. “Pelo meu gosto pessoal, degusto os vinhos tintos entre 15 e 17 graus, não mais do que isso”, explica Riccardo Cotarella, presidente da Assoenologi e um dos mais importantes profissionais italianos. “Em primeiro lugar, sente-se menos o álcool; não há aquele domínio alcoólico que se percebe quando se serve a 20-22 °C; portanto, há mais equilíbrio entre os diversos componentes e também uma melhor percepção da qualidade do vinho”. Leonardo Palumbo (vice-presidente da Union Internationale des Enologues): “trata-se de uma tendência positiva que poderia facilitar o consumo de vinhos tintos entre as novas gerações de consumidores”, enquanto, para Mariano Murru (presidente da Assoenologi Sardegna e enólogo da vinícola Argiolas) “o problema é que, às vezes, os vinhos tintos continuam sendo servidos na chamada temperatura ambiente, mas esquece-se que, por ‘ambiente’, entende-se a temperatura da adega, portanto, decididamente mais baixa do que as que registramos no verão”. E agora as vinícolas italianas também apostam em vinhos tintos criados especialmente para a estação quente, concebidos justamente com o objetivo de serem consumidos depois de um tempo na geladeira.

Afinal, servir um vinho da maneira correta não é um gesto técnico, mas uma forma de respeito. Significa reconhecer que cada garrafa tem um momento exato em que se expressa da melhor forma, e que esse momento muda de acordo com a estação do ano, a luz e o contexto. No verão, mais do que nunca. Segundo Paolo Porfidio, chefe de sommeliers do Excelsior Hotel Gallia, em Milão, um hotel cinco estrelas de luxo, e enólogo "sem cair em extremos ou exageros, é fundamental manter frescos também os vinhos de denominações mais estruturadas. Por exemplo, vinhos importantes como o Brunello di Montalcino ou o Barbaresco podem ser servidos a cerca de 14 °C, até porque, no tempo que leva para abri-los e servi-los, eles já ganham 1 a 2 graus. A conservação, portanto, é fundamental para que cheguem à mesa já na temperatura certa. Se, por outro lado, for um Etna Rosso, um Pinot Noir e, em geral, vinhos com taninos mais suaves e delicados, pode-se baixar a temperatura até 13 °C. É melhor evitar vinhos muito jovens e com taninos muito agressivos; caso contrário, corre-se o risco de perceber uma sensação adstringente. Resumindo, é agradável beber uma taça de Barolo no verão, na temperatura certa, mantendo-o bem gelado, mas obviamente não são vinhos para a praia”.

“Antigamente, para as degustações, servia-se o vinho — destaca Riccardo Cotarella, presidente da Assoenologi e consultor de mais de 80 importantes vinícolas na Itália e no mundo — com o termômetro indicando temperatura ambiente, mas se estiver fazendo 25 graus, ou até mais, uma temperatura que no verão é perfeitamente normal, essa não é a melhor maneira de apreciar um vinho tinto no verão; o vinho tinto deve ser servido mais fresco, pois ele esquenta rapidamente no copo. Se for inverno, e o ambiente não estiver quente, pode-se servi-lo um pouco mais quente. De qualquer forma, para o meu gosto pessoal, eu degusto os vinhos tintos entre 15 e 16 graus, não mais do que isso. Primeiro, sente-se menos o álcool, não há predominância alcoólica como se fosse servido a 20-22 °C; portanto, há mais equilíbrio entre os diversos componentes e também uma melhor percepção da qualidade do vinho. Meu vinho tinto de verão por excelência? “Teor alcoólico não muito elevado, que não tenha uma grande estrutura tânica, bastante suave, mas, de qualquer forma, não banal, com uma personalidade que se expressa na elegância e no equilíbrio”.

O fenômeno dos tintos para serem servidos mais frios, no entanto, não é apenas italiano: do outro lado do oceano, fala-se abertamente de “chillable reds”, tintos suculentos para serem servidos frios que disputam com os brancos e os roses o título de vinho símbolo do verão. Nos Estados Unidos, observa-se uma verdadeira tendência em direção a tintos mais leves, ideais para a estação quente, escolhidos por se alinharem a um estilo de vida marcado por refeições leves, culinária vegetariana e menor consumo de álcool. Isso é demonstrado pela vinícola californiana Field Recordings, que produz o Freddo, um Sangiovese 100% concebido especialmente para ser servido em baixas temperaturas, em garrafa transparente, justamente para destacar sua natureza “verão” já desde a embalagem.