segunda-feira, 31 de agosto de 2026

EXPORT DE VINHO ITALIANO EM MAIO 2026 A 3 BILHÕES DE EUROS

Após meses de recuperação significativa, em um contexto ainda negativo, a tendência das exportações de vinho italiano em maio de 2026 parece estar se “estabilizando”, pelo menos em termos de valor. No entanto, os principais mercados — dos Estados Unidos à Alemanha e ao Reino Unido — apresentam um desempenho pior do que o registrado no mês anterior, abril. É o que indicam os dados do Istat, publicados no começo do mês de agosto: de janeiro a maio de 2026, as exportações de vinho italiano para o mundo chegaram a quase 3 bilhões de euros (2,98 bilhões de euros), uma queda de 6,86% em relação ao mesmo período de 2025 — um dado percentual que, na verdade, não se afasta da tendência observada em abril de 2026. Em termos de volume exportado, o resultado foi de 809,1 milhões de litros, o que representa uma queda de 5% em relação aos primeiros cinco meses de 2025 — um dado que, aliás, representa uma piora em relação à queda de 3,7% registrada em abril de 2026.

Os Estados Unidos, que representam o principal mercado de exportação do vinho italiano, importaram 709 milhões de euros, e a comparação com 2025 continua amplamente negativa (-15,4%) e em linha com o observado no primeiro quadrimestre de 2026, embora os volumes tenham caído sensivelmente em relação ao último boletim, registrando uma queda de 6% em relação a 2025, totalizando 141,5 milhões de litros. A Alemanha continua sendo o principal mercado europeu e o segundo maior do mundo para o vinho italiano, que registrou exportações de 439,1 milhões de euros (-8,2% em relação a 2025) e um volume de -9,3% (180 milhões de litros). O Reino Unido também registrou queda, para 278,5 milhões de euros (-6,5%), com volumes que, na comparação entre os primeiros cinco meses de 2025 e os de 2026, apresentaram uma redução de 6,6% (88,5 milhões de litros).

A primeira notícia positiva, em termos de desempenho das exportações, vem do Canadá, com 159,5 milhões de euros, mantendo-se estável em relação ao mesmo período de 2025. Em seguida, vêm a Suíça, com 143,8 milhões de euros, que, assim como em abril de 2026, permanece com uma queda de 12,7%, e a França, com 127,1 milhões de euros, que, no entanto, entra em território negativo (-2,9%).

No que diz respeito ao mercado oriental, o Japão se recupera em relação a abril de 2026, e a comparação com 2025 é marcada pela estabilidade (-0,2%), ficando em 99,7 milhões de euros. Excelente, por outro lado, em termos percentuais, é o resultado da China que, apesar de partir de valores mais baixos, atinge 34,1 milhões de euros, um aumento de 18% em relação a 2025. Entre as surpresas positivas, destaca-se também o Brasil, um dos principais mercados emergentes, com 16,9 milhões de euros (+15,2%), enquanto na Austrália as exportações atingiram 23,4 milhões de euros (-16,9%).

Após um mês de janeiro negativo — que também foi afetado pela “corrida às compras” no início de 2025 para evitar as tarifas americanas que acabaram por ser efetivamente aplicadas — e pela “recuperação” nos meses seguintes, mas sempre com um saldo negativo no total, as exportações de vinho italiano em maio de 2026 não geraram, portanto, o salto que se esperava, permanecendo estáveis, em termos de desempenho econômico, em relação ao mês anterior. 

Este ano de 2026, enquanto a atenção do setor se volta para uma colheita que terá de lidar com estoques muito elevados nas vinícolas, se confirma, até o momento, como um ano complicado para o vinho italiano.



segunda-feira, 17 de agosto de 2026

NUNCA TÃO CEDO: NA EUROPA A VINDIMA JÁ COMEÇOU

O calor e a seca anteciparam consideravelmente o início da colheita em grande parte da Europa. Muitas regiões comunicam que em 2026 tivemos as datas mais precoces desde o início dos registros. Muitas vezes, trata-se apenas de locais específicos com clima quente e parcelas de maturação precoce — frequentemente com Chardonnay, Muscat ou uvas destinadas à produção de espumante.

Na França, em 15 de julho, em Fitou, no departamento de Aude, foram colhidas as primeiras uvas Muscat. Esse foi o início da vindima mais precoce já registrado no país. O Roussillon seguiu o mesmo caminho em 23 de julho. Em 6 de agosto, a colheita também começou em uma parcela de Chardonnay em Montgueux, na região de Champagne — onze dias antes do recorde anterior, de 2020. Ao mesmo tempo, Bordeaux iniciou a colheita das uvas para o Crémant, quase duas semanas antes de 2025.

Na Espanha, Lanzarote chegou a iniciar a colheita já na primeira semana de julho. No Penedès, a Gramona começou em 22 de julho, mais cedo do que nunca; a DO La Mancha seguiu em 24 de julho – cerca de duas semanas antes de 2025. Somontano começou doze dias antes em relação ao ano anterior. A Rioja Oriental registrou, em 6 de agosto, o início mais precoce de sua história.

A Itália também registra recordes: na região de Oltrepò Pavese, as primeiras uvas para vinhos base de espumante foram colhidas em 28 de julho, cerca de dez a quatorze dias antes do habitual. A Franciacorta iniciou, em 30 de julho, pela primeira vez na história, a colheita em julho. Nas Langhe (Piemonte), os viticultores começaram no início de agosto e, na Puglia, a colheita teve início em 5 de agosto. Também na Toscana as uvas estão maduras cerca de duas semanas antes em relação aos anos anteriores.

Também de Portugal e da Grécia chegam os primeiros relatos operacionais. Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, a colheita ainda não começou oficialmente, mas também nesses países espera-se um início antecipado. O calor acelera a maturação dos açúcares, enquanto a seca mantém as uvas pequenas e, em alguns locais, chega a interromper a maturação. As diferenças entre variedades, altitudes e parcelas continuam, portanto, significativas.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

VINDIMA 2026 NA ITÁLIA - OS CONSORCIOS DE TUTELA DAS PRINCIPAIS DENOMINAÇÕES REDUZEM OS RENDIMENTOS

 A vindima 2026 está começando, mas nas vinícolas italianas, de modo geral, há mais do que uma safra média em estoque (49,1 milhões de hectolitros em 31 de maio de 2026), e muitas regiões importantes já decidiram ou estão decidindo adotar medidas de contenção e gestão da oferta, principalmente por meio de reduções nos rendimentos em relação ao previsto nos regulamentos, mas também com armazenamento e outras medidas, para conter a produção em uma fase difícil do mercado e também para evitar que o excesso de produto possa fazer os preços dos vinhos a granel caírem.

O Consórcio Toscana IGT enviou à Região da Toscana uma solicitação para reduzir os rendimentos em 20% em relação ao previsto no disciplinar de produção: de 17 para 13,6 toneladas por hectare para os vinhos brancos e de 16 para 12,8 para os vinhos tintos Toscana IGT. Um caminho, ainda na Toscana, já trilhado por diversos consórcios. Como o do Brunello di Montalcino, que há algum tempo decidiu reduzir o rendimento de 8 para 7 Toneladas por hectare até 2026, ou como o do Chianti, que confirmou, assim como em 2025, a solicitação de redução de 20% nos rendimentos, para todas as variedades, também neste caso aguardando aprovação da Região. Assim como a solicitação apresentada pelo Chianti Classico, que, também neste caso, assim como no ano passado, pediu a redução de 1 Ton. por hectare, de 7,5 para 6,5, ou, alternativamente, a possibilidade de as vinícolas não reduzirem a produção de uvas, mas desclassificarem uma quantidade equivalente de produção de vinho das três safras anteriores.

No Vêneto, por outro lado, o Consórcio de Tutela da Valpolicella já havia deliberado, a partir de 2025 e por um período de três anos, uma redução no rendimento por hectare de 12 para 10 Tons de uva, dos quais 2 destinados ao armazenamento. Já a maior denominação de vinhos brancos da Itália, a do Pinot Grigio delle Venezie (27.000 hectares entre Veneto, Friuli-Venezia Giulia e Alto Adige), aprovou, para a colheita de 2026, uma redução dos rendimentos para 16 Tons por hectare, dos quais 3 destinados ao armazenamento administrativo. 

No Piemonte, o Consórcio do Barolo, Barbaresco, Alba, Langhe e Dogliani aprovou uma redução de 10% (para 9 Tons por hectare) para o Langhe Nebbiolo e o Barbera d’Alba DOC, mas, por enquanto, não estão previstas reduções de rendimento para os Nebbiolo destinados ao Barolo e ao Barbaresco. Já o consórcio da Barbera d’Asti e Vini del Monferrato decidiu reduzir o rendimento da Barbera d’Asti de 9 para 8,5 Tons por hectare e o excedente da safra de 1,8 para 0,5 Tons, o que significa que, na prática, cada hectare de Barbera poderá produzir, no máximo, 9 Tons, e não 11,8 conforme previsto no regulamento.

Trata-se, obviamente, de um panorama parcial e provisório, mas que dá uma ideia de como um vinho italiano vem aproveitando todas as oportunidades para reequilibrar a oferta e a demanda e defender os valores do produto (e, consequentemente, dos terrenos) em uma fase, já prolongada, de grande complexidade.