terça-feira, 4 de agosto de 2026

VINDIMA 2026 NA ITÁLIA - OS CONSORCIOS DE TUTELA DAS PRINCIPAIS DENOMINAÇÕES REDUZEM OS RENDIMENTOS

 A vindima 2026 está começando, mas nas vinícolas italianas, de modo geral, há mais do que uma safra média em estoque (49,1 milhões de hectolitros em 31 de maio de 2026), e muitas regiões importantes já decidiram ou estão decidindo adotar medidas de contenção e gestão da oferta, principalmente por meio de reduções nos rendimentos em relação ao previsto nos regulamentos, mas também com armazenamento e outras medidas, para conter a produção em uma fase difícil do mercado e também para evitar que o excesso de produto possa fazer os preços dos vinhos a granel caírem.

O Consórcio Toscana IGT enviou à Região da Toscana uma solicitação para reduzir os rendimentos em 20% em relação ao previsto no disciplinar de produção: de 17 para 13,6 toneladas por hectare para os vinhos brancos e de 16 para 12,8 para os vinhos tintos Toscana IGT. Um caminho, ainda na Toscana, já trilhado por diversos consórcios. Como o do Brunello di Montalcino, que há algum tempo decidiu reduzir o rendimento de 8 para 7 Toneladas por hectare até 2026, ou como o do Chianti, que confirmou, assim como em 2025, a solicitação de redução de 20% nos rendimentos, para todas as variedades, também neste caso aguardando aprovação da Região. Assim como a solicitação apresentada pelo Chianti Classico, que, também neste caso, assim como no ano passado, pediu a redução de 1 Ton. por hectare, de 7,5 para 6,5, ou, alternativamente, a possibilidade de as vinícolas não reduzirem a produção de uvas, mas desclassificarem uma quantidade equivalente de produção de vinho das três safras anteriores.

No Vêneto, por outro lado, o Consórcio de Tutela da Valpolicella já havia deliberado, a partir de 2025 e por um período de três anos, uma redução no rendimento por hectare de 12 para 10 Tons de uva, dos quais 2 destinados ao armazenamento. Já a maior denominação de vinhos brancos da Itália, a do Pinot Grigio delle Venezie (27.000 hectares entre Veneto, Friuli-Venezia Giulia e Alto Adige), aprovou, para a colheita de 2026, uma redução dos rendimentos para 16 Tons por hectare, dos quais 3 destinados ao armazenamento administrativo. 

No Piemonte, o Consórcio do Barolo, Barbaresco, Alba, Langhe e Dogliani aprovou uma redução de 10% (para 9 Tons por hectare) para o Langhe Nebbiolo e o Barbera d’Alba DOC, mas, por enquanto, não estão previstas reduções de rendimento para os Nebbiolo destinados ao Barolo e ao Barbaresco. Já o consórcio da Barbera d’Asti e Vini del Monferrato decidiu reduzir o rendimento da Barbera d’Asti de 9 para 8,5 Tons por hectare e o excedente da safra de 1,8 para 0,5 Tons, o que significa que, na prática, cada hectare de Barbera poderá produzir, no máximo, 9 Tons, e não 11,8 conforme previsto no regulamento.

Trata-se, obviamente, de um panorama parcial e provisório, mas que dá uma ideia de como um vinho italiano vem aproveitando todas as oportunidades para reequilibrar a oferta e a demanda e defender os valores do produto (e, consequentemente, dos terrenos) em uma fase, já prolongada, de grande complexidade.