terça-feira, 7 de julho de 2026

MAIS BRANCO E MENOS TINTO: COMO MUDA A PRODUÇÃO DE VINHO NA ESPANHA

O panorama do consumo de vinho está mudando, uma tendência já em voga há algum tempo, com os apreciadores de vinho se voltando, cada vez mais, para vinhos fáceis de beber, com menor teor alcoólico, e que, por consequência, se alinham à tendência da leveza na taça, que agrada cada vez mais e à qual os vinhos brancos, por suas características, se adaptam melhor do que os tintos. Uma mudança no consumo que está, consequentemente, repercutindo também na esfera produtiva, com o segmento dos vinhos brancos recuperando cada vez mais terreno, a ponto de superar, em alguns casos, os volumes dos vinhos tintos que, historicamente, sempre ocuparam a maior fatia do mercado. Uma “ultrapassagem” que já ocorreu também na Espanha, a terceira potência vinícola mundial depois da França e da Itália, e que vem se ampliando, representando um forte sinal proveniente de um país que está entre os “grandes” do vinho, terra de denominações de origem prestigiadas como Rioja, Ribera del Duero e Priorat, entre tantas outras.

De acordo com a Vinetur, o vinho branco representou 57% da produção vinícola espanhola até abril da safra 2025-2026, segundo dados analisados pela Organização Interprofissional do Vinho da Espanha (OIVE), um sinal de que a oferta vinícola do país continua se afastando dos tintos e dos roses. Durante um webinar, Begoña Olavarría, diretora do Departamento de Inteligência Econômica e Mercados, explicou que a participação do vinho branco aumentou quase 8 pontos em comparação a safra de 2017-2018. Os vinhos tintos e roses, somados, representam 42,9% da produção, com base nos dados da Infovi analisados pela organização.

A mudança ocorre em um momento em que o consumo de vinho na Espanha continua em declínio. A Oive explicou que o consumo em abril caiu 6,1% em relação ao mesmo mês de 2025, para 9,2 milhões de hectolitros, e que, embora o consumo de vinho branco tenha se mantido estável, o de vinhos tintos e roses diminuiu.