domingo, 7 de junho de 2020

MERCADO ITALIANO DO VINHO - RADIOGRAFIA

A agência inglesa Wine Intelligence, uma das mais respeitadas no mundo enológico em questão de pesquisas relativas ao vinho e seu universo, publicou a poucos dias o Report n. 1 sobre "Italy Wine Landscapes 2020", ou seja uma radiografia bem detalhada sobre o mundo do vinho na Itália em 2020.
As informações contidas são realmente muito detalhadas e abrangem vários aspectos do mundo do vinho na Itália, e para tentar simplificar este enorme fluxo de dados, resumirei os principais tópicos:
  • De 50 milhões de consumidores 34 milhões (68%) bebem vinho e pelo menos 28 milhões (56%) bebem uma taça por semana. 1 sobre 3 consumidores de vinho bebem pelo menos uma taça por dia;
  • O consumo per-capita dos vinhos "fermi" (não espumantes e não frisantes) é de 43 litros, só ficando atrás de Portugal (56,4 litros) e França (49 litros);
  • Homens e mulheres dividem de forma quase igual o mercado de consumo, já em relação a faixa etária os 42% dos consumidores tem mais de 55 anos, e o 32% está na faixa entre 18 e 44 anos.
  • Os italianos se demonstraram um povo que tem muita curiosidade pelo vinho, tanto que o 55% quer provar vinhos novos com regularidade, porcentagem que sobe para 69% para pessoas abaixo de 34 anos. 
  • O principal motivo do consumo é relativo ao prazer que ele fornece e ao sabor agradável;
  • o 78% dos consumidores escolhem consumir vinhos da melhor qualidade em relação ao próprio poder de compra e 6 sobre 10 acreditam que uma taça de vinho faça bem para saúde;
  • 1 sobre 2 consumidores acha que o vinho é um fator importante para o  próprio estilo de vida;
  • o 53% acha que os preços dos vinhos comercializados são "razoáveis";
  • as bebidas alcoólicas mais consumidas pelos italianos são o vinho tinto (89% a porcentagem de quem bebeu pelo menos uma vez no último ano). vinho branco (88%), cerveja (85%), spritz (54%), espumantes doces - como Asti Spumante - (45%);
  • Os vinhos brancos mais consumidos pelos italianos: Chardonnay, Pinot bianco, Pinot grigio, Moscato, Falanghina e Verdicchio;
  • Os vinhos tintos mais consumidos pelos italianos: Nero d'Avola, Montepulciano, Lambrusco, Merlot,Sangiovese e Primitivo;
  • As denominações mais conhecidas são o Prosecco Doc (52% é a porcentagem de quem já oviu falar da denominação), Brunello di Montalcino (51%), Montepulciano d'Abruzzo (50%), Chianti (48%), Chianti Classico (45%), Franciacorta (45%), Barolo, Barbera d'Asti e Lambrusco (40%), Asti e Moscato d'Asti (38%), seguidos por primitivo di Manduria, Amarone della Valpolicella, Vermentino di Sardegna, Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore Docg, Oltrepò Pavase, Vino Nobile di Montepulciano, Bardolino, Greco di Tufo e Morellino di Scansano;
  • As marcas mais fortes na Itália, em conformidade ao "Global Wine Brand Power Index" são: Ferrari, Berlucchi, Fontanafredda, Donna Fugata, Cà del Bosco, Mionetto, Feudi di San Gregorio, Valdo, Sella e Mosca, Antinori, Zonin, Mastroberardino, Sassicaia, Duca di Salaparuta e Marchesi di Barolo;
  • no que diz respeito as compras dos últimos 3 meses quem levou a melhor foi o Prosecco Doc (comprado pelo 24% das pessoas que adquiriram vinho), na frente de Montepulciano d'Abruzzo (19%) e Lambrusco (15%);
  • Entre os principais motivos que determinam a escolha do vinho a harmonização com a comida é fator mais importante e o prestigio da denominação e da marca, depois vem o preço, a região de origem e casta, e o grau alcoólico;

quinta-feira, 4 de junho de 2020

ENOCHATOS E SUAS FRASES FAMOSAS

No mundo dos apreciadores de vinhos as vezes nos deparamos com várias definições para identificar as pessoas que estão envolvidas come este fantástico universo.
Temos os enófilos, traduzindo literalmente, os amigos do vinho, para definir as pessoas que gostam do vinho como apreciadores e se dedicam ao aprofundamento dos conceitos do mundo do vinho sem obrigatoriamente ter feito algum curso. 
Temos os enólogos, traduzindo literalmente, os estudiosos do vinho, ou seja as pessoas que depois de estudos aprofundados (na Europa são estudos universitários) se especializam nos processos relacionados a produção e conservação do vinho.
Temos ainda os sommeliers, que hoje em dia indicam as pessoas que nos restaurantes são responsáveis pela administração e serviço das bebidas alcoólicas (neste caso não podemos traduzir literalmente pois a palavra original em francês era utilizada para indicar as pessoas que conduziam os animais de carga).
Além destas temos uma palavra para indicar uma figura icônica também, que são aquelas que apesar de saber pouco ou nada de vinho, SE ACHAM.....estes são os enochatos e viraram tão "importantes" no universo do vinho que a prestigiosa revista "Wine Folly" coletou nos últimos meses as "melhores" respostas ou afirmações feitas pelos enochatos do mundo inteiro e compartilhadas pelos leitores da revista.
Compartilho com vocês algumas das melhores "pérolas" para rir juntos e quem não acha que vinho também é sinônimo de boas risadas......agora com certeza mudará de ideia:
  • "Eu sinto o aroma e agito a água da minha taça entre a degustação de um vinho e outro";
  • "É fácil perceber o aroma do 2% de Petit Verdot presente neste blend"!!!;
  • "Eu não bebo vinho algum que tenha rolha de rosca";
  • Durante uma visita a uma cantina, na área de produção, uma pessoa se queixou que o chão estava molhado;
  • Uma pessoa, depois de ter oxigenado e feito a análise olfativa de um fantástico Brunello di Montalcino 1999, tragou de uma só vez a taça inteira;
  • "Eu vi um sommelier cheirar uma tampa de rosca";
  • Uma pessoa que se dizia profundo conhecedor do Amarone por ter visitado um produtor e ter alugado por duas semanas uma casa na área de produção disse que todas as 7 garrafas que el tinha comprado de um produtor muito famoso estavam estragadas;
  • Durante uma degustação de vinhos franceses um casal se esforçava tanto de pronunciar as palavras em francês que até depois, durante a degustação de outros vinhos, mantiveram o acento francês para falar;
  • Alguém me disse que aquela safra foi caracterizada por fortes ventos pois percebeu o aroma de poeira dos bagos da uva durante a degustação!!!
  • O cheiro do socavo ajuda a limpar o nariz para uma degustação !!!!!
  • Alguém me perguntou se estava servindo um Cabernet e eu respondi que sim, um Cabernet Sauvignon. esta pessoa me respondeu "Não, eu só quero um Cabernet". Aí eu perguntei: "quer então um Cabernet Franc?". Esta pessoa me olhou como se fosse um idiota e me disse: "Cabernet: existe uma baita diferença entre Cabernet Sauvignon e cabernet sem Sauvignon e com certeza você não sabe qual é" !!!!
  • Um amigo do meu marido bebe somente Pinot Noir e não suporta Grenache. Última vez que fomos comer juntos ele pediu um Chateauneuf du Pape

terça-feira, 2 de junho de 2020

BRUNELLO DI MONTALCINO 2015 - SAFRA EXCEPCIONAL

Parece que os Deuses da enologia mais uma vez sorriram para o icônico vinho italiano Brunello di Montacino.
Entre os os vinhos mais conceituados do mundo o Brunello é aquele que mais demora para ser disponibilizado para comercialização (5 anos a partir da vindima, e 6 anos se for Reserva) e isso gera enormes expectativas seja nos produtores que nos fieis consumadores deste néctar de Baco, quando deve-se apresentar ao público uma nova safra. A investida mediática dos produtores começa desde a época da colheita com informações sobre a qualidade das uvas colhidas e a avaliação por parte do Consorcio de Tutela do Brunello que provisiona a safra em base as análises dos vinhos em afinamento...a máquina do marketing do Brunello entra em cena com toda a sua força.
Quanto a nova safra apresentada de Brunello (2015) podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que trata-se de uma safra realmente excepcional: aromas marcantes e excelente harmonia são as palavras chaves para esta safra. Todo ano o que determina a maior ou menor qualidade das safras em Montalcino são as condições climáticas e para esclarecer melhor este ponto em relação à 2015, foram entrevistados alguns produtores de Brunello:
LIVIO SASSETTI/PERTIMALI: Lorenzo Sassetti evidencia que 2015 foi uma estação com um crescente de condições favoráveis. Volumes de chuvas regulares com temperaturas amenas em Julho e Agosto. "Tivemos uma verão relativamente seco mas sem temperaturas exageradamente altas, com suficiente água para as plantas, permitindo uma vindima ótima";
COL D'ORCIA: Francesco Marone Cinzano fala que "O clima do mês de Setembro foi temperado, com boas excursões térmicas entre dias e noites permitindo uma vindima balanceada das uvas"
SIRO PACENTI: Giancarlo Pacenti diz "um verão quente......porém sem estresse para as plantas graças a boas reservas de água presente no solo"
IL POGGIONE: Alessandro Bindocci disse: " Começamos a vindima do Sangiovese para o nosso Brunello em 17 de Setembro. As uvas colhidas demonstraram, imediatamente, uma complexidade aromática muito intensa e uma elegância tânica e de acidez fora do comum. Estes primeiras impressões nos indicaram que a safra era, com certeza, uma das melhores" acrescentando ainda "....para 2015 a chave para fazer um grande vinho  será manter o foco na fruta e na acidez. Sempre afirmamos que a acidez é a espinha dorsal do vinho, especialmente para o Brunello, e do modo especial para safras excepcionais como esta, que devem se manter por muitos anos. Nós somos sortudos que, graças ao nossos vinhedos localizados em áreas mais elevadas, conseguimos alcançar um grau maior de frescor das uvas, independente das condições climáticas. Além do mais, graças a utilização exclusiva de "botti grandi" (barris grandes) a fruta sobressai sobre os taninos da madeira".
Então...está esperando o que para adquirir uma garrafa de Brunello do Montalcino 2015? 



quarta-feira, 27 de maio de 2020

TOSCANA - PRODUÇÃO DE VINHOS 2019

Como não poderia deixar de ser vamos hoje analisar os dados recém publicados pelo ISTAT (Instituto de Estatística italiano) sobre a produção de vinhos da Toscana, uma das regiões mais icônicas da Itália, da última safra (2019).


A tabela acima nos mostra os principais dados relativos a última safra na Toscana: a produção total de vinhos foi de 2,63 milhões de hl. alinhada seja com a média histórica (+1%) que com o resultado do ano anterior (+1%).
Analisando mais pontualmente a tabela podemos ressaltar que, enquanto os vinhos tintos representam o 87% da produção total da Toscana (porcentagem mais alta de toda a Itália em fato de representatividade de vinhos tintos) e aumentaram 1% em comparação ao 2018 e 3% sobre a média histórica dos últimos 10 anos, os brancos ficaram , em volume, abaixo da média histórica de 10%.
Quanto as denominações, apesar dos Docs terem registrado uma flexão de 3% em comparação ao ano anterior, ainda representam o 63% de toda a produção da região, atestando que os vinhos da Toscana são altamente qualitativos e estão alinhados à média histórica; já os Igts tiveram um sensível aumento (+11%) em comparação à 2018, puxados pelo aumento principalmente dos tintos Igt (+15%) com um volume total de 552 mil hl. Os vinhos de mesa também aumentam em volume, seja em comparação ao ano anterior que na média histórica (+20%)

Para finalizar até em função da análise da tabela acima fica fácil afirmar que a Toscana é uma região com alta vocação a produção de vinhos de grande qualidade (Doc=63%), principalmente tintos (87% do total dos quais 57% Doc).

quarta-feira, 20 de maio de 2020

CONSUMO DE VINHOS TOTAIS E PER CAPITA 2019

A OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) acabou de publicar os dados relativos ao consumo mundial de vinhos do ano de 2019, conforme tabela abaixo:


Analisando os resultados acumulados é evidente que o consumo de vinho no mundo está praticamente parado: excluindo uma breve parêntesis em 2017 o volume total não superou os 244 milhões de hectolitros desde 2012. De modo geral o aumento dos consumos de alguns países ricos e culturalmente propensos ao consumo do vinho foi neutralizado pela diminuição de outros países onde, talvez, o consumo era demasiadamente alto ou que não conseguem manter um nível de crescimento constante (China).
Dos primeiros 10 países listados os únicos que registraram uma expansão significativa foram os EUA e Alemanha com +2% a mais que em 2018 (1,6 milhões de hectolitros para os EUA e 0,4 milhões para a Alemanha); já Itália, Espanha, Russia e Argentina registraram pequenos aumentos no consumo (todos abaixo de 1%), enquanto China, Inglaterra, França e Argentina amargaram diminuições, com a China liderando com - 3,2%.
O principal mercado consumidor mundial é os EUA, com um volume anual em 2019 de 33 milhões de hectolitros, com aumentos constantes nos últimos 10 anos: +2% sobre 2018 e +10 sobre a média histórica. Além do mais, considerando a população dos EUA (331 milhões) se evidencia que o consumo per capita é somente de 10 l./ano,  com um potencial muito grande de aumento no futuro.
Por outro lado na China as coisas não parecem tão interessantes: o vinho é consumido por uma pequena fatia da população, tanto que o consumo per capita é somente de 1,2 l./ano (quanto o meu consumo de 4 dias). Tirando o período 2015-2017 quando tivemos 3 anos de aumento contante e de record de consumo, a China nos últimos dois anos perdeu 1,5 milhões de l. Apesar disso aparece na quinta posição mundial.
Analisando o bloco Franca, Itália, Alemanha, Inglaterra e Espanha (segundo, terceiro, quarta, sexto e sétimo lugar) vemos que estes países, juntos, somam 93,6 milhões de hectolitros e cujos consumos aumentaram no último ano. Este bloco é ainda mais interessante pela potencialidade que exprimem pois  o consumo per capita deste bloco é de aproximadamente 10 l./ano (estes cinco países juntos tem 224 milhões de abitantes, aproximadamente a mesma população dos EUA).
Para melhor compreender os números acima abaixo segua a tabela do consumo per capita recém publicada pela OIV:


terça-feira, 12 de maio de 2020

PORTUGAL E SUAS CASTAS "MUTANTES"

Antes de começar a escrever um pouco sobre as castas "mutantes" de Portugal, e quando escrevo "mutantes" não me refiro ao fato que as uvas durante a noite se transformam em pequenos seres alienígenas, mas sim a questão de cada casta mudar de nome dependendo a região de Portugal onde é plantada, devo admitir que a Lusitânia (nome utilizado para indicar o Portugal na antiguidade) foi um dos últimos países que estudei durante minha trajetória enológica, um pouco pelo fato de nunca ter tido muita proximidade pessoal com este país, e também pelo nó que dava na minha cabeça todas as vezes que bebia um vinho português, quando lia o contra rótulo, ao me deparar com, no mínimo, 6 uvas utilizadas para produzi-lo. Encarei isso como um desafio pessoal e me comprometi a aprofundar mais meus conhecimentos sobre a vitivinicultora portuguesa, e, a partir desta minha confusão inicial, decidi escrever este artigo pois acho que muita gente também fica um pouco perdida quanto as principais uvas de Portugal e seus diferentes nomes.
Examinando os principais países produtores de vinhos europeus Portugal é um dos menores seja em termos de superfície plantada que de produção, respectivamente 200.000 ha. e 6 milhões de hl/ano (mais ou menos 1/5 da produção da vizinha Espanha) e historicamente o pulo de gato da enologia portuguesa se deu com os vinhos fortificados do Porto e Madeira que, pelo fato de terem um alto teor de açúcar e de álcool resistiam muito bem as travessias marítimas para chegar ao principal mercado de exportação de Portugal, a Inglaterra. A produção de vinhos portugueses (como todos os outros países da Europa) teve grandes problemas durante a filoxera mas enquanto o resto da Europa conseguiu se reerguer, Portugal sofreu muito o isolamento político que viveu até meado de 1970 e que não permitiu que fossem implementadas politicas de melhoria nos vinhedos para aumentar a qualidade dos produtos e ao mesmo tempo investimentos institucionais para que os vinhos tintos e brancos fossem conhecidos fora de Portugal. Foi somente após a entrada do Portugal na Comunidade Europeia (1986) que o setor vinícola do país começou a se reestruturar e os produtores, visando os mercados externos, foram obrigados a implementar melhorias substancias seja nos vinhedos que nas cantinas para a melhoria da qualidade dos produtos.
Hoje as principais regiões vinícolas de Portugal são Minho, Douro, Bairrada, Dão, Ribatejo, Alentejo, Península de Setúbal e Algarve, além, obviamente, da Ilha de Madeira.
Falando um pouco mais sobre as castas, Portugal é um país com um número impressionante de castas autóctones (mais de 100) de origem muito antiga (fenícios e cartaginenses) e somente na região do Douro, a pátria do vinho do Porto, podemos encontrar quase 80 destas uvas, mas com pouca presença de uvas internacionais que não se adaptaram muito bem as condições climáticas e de terreno. Dentre as castas brancas mais utilizadas podemos mencionar a Alvarinho, Arinto, Bual, Encruzado, Fernão Pires, Gouveio, Loureiro, já para as tintas A Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonez, Castelão, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinta Cão, Touriga Nacional e Touriga Francesa.
Mas para voltar ao assunto da abertura sobre a "mutação" das castas portuguesas, abaixo anexo duas planilhas que evidenciam como o nome das uvas, em Portugal, muda em função da área onde é plantada. As vezes encontramos nomes bem esquisitos, mas espero que as tabelas abaixo ajudem os leitores a se orientar um pouco mais no complexo mundo das uvas "mutantes" portuguesas:

CASTAS BRANCAS
Nome Sinônimos
Alicante branco Cachudo, Branco Conceição, Pérola
Alvar Alvar branco
Alvarinho Galego, Galeguinho
Arinto Padernã, Pé de Perdiz branco, Chapeludo, Cerceal,Azal espanhol, Azal, Galego, Branco espanhol
Arinto do Interior Arinto do Douro, Arinto de Trás-os-Montes
Azal Azal, Gadelhudo, Carvalhal, Pinheira
Babosa Malvasia Babosa
Batoca Alvaroça, Alvaraça, Sedouro
Bical Borrado de Moscas, Arinto, Fernão Pires, do Galego, Pedro
Boal espinho Batalhinha
Branco João Branco Sr. João
Branda D. Branca, Dona Branca
Carrasquenho Boal Carrasquenho
Carrega branco Malvasia Polta, Barranquesa
Cerceal branco Cercial
Diagalves Formosa, Carnal
Dorinto Arinto branco
Esganoso Esganoso de lima, Esganinho, Esgana Cão Furnicoso
Estreito Macio Estreito ou Rabigato
Fernão Pires Maria Gomes
Folgasão Terrantes
Gigante Branco Gigante
Gouveio Verdelho
Lameiro Branco lameiro. Lameirinho, Luzidio
Lilás Alvarinho lilás
Malvasia Fina Boal, Boal branco,Arinto-do-Dão, Assario branco, Arinto, Galego, Boal Cachudo
Malvasia Rei Seminário, Assario, Listrão, Pérola, Moscatel Carré, Grés, Olho de Lebre
Malvasia Romana Malvasia Cândida Romana, Malvasia Cândida branca
Malvia Malvasia de Setubal
Malvoeira Malvasia de Oeiras
Manteúdo Manteúdo B., Vale Grosso, Manteúdo Branco
Moscatel Galego branco Moscatel, Moscatel de Bago Miudo
Moscatel Graúdo Moscatel de Setubal
Moscatel Nunes Moscatel Branco
Rabigato Franco Rabigato Francês
Rabo de Ovelha Medock, Rabigato, Rabo de Gato, Rabisgato, Rabo de Careneiro
Roupeiro Bramco Roupeiro
Santoal Boal deSantarém
Semillon Boal
Sercial Esgana Cão, Esganoso
Síria Roupeiro, Crato Branco, Malvasia, Posto Branco, Côdega, Alvadurão do Dão
Tália Braquinha, Douradinha, Pêra de Bode, Ugni Blanc, Esgana Rapazes, Espadeiro Branco, Malvasia Fina, Trebiano, Afrocheiro Branco
Tamarez Arinto Gordo, Boal Prior, Trincadeira de Douro
Trajadura Trincadeira, Mourisco
Trincadeira das Pratas Tamares
Uva Cão Cachorrinho
Valente Branco Valente 
Vencedor Boal Vencedor
Vedelho Verdelho Branco, Verdelho dos Açores
Vital Boal Bonifácio, Malvasia Corada
CASTAS TINTAS
Nome Sinônimos
Alcoa Tinta da Alcobaça
Afrocheiro Afrocheiro Preto
Alicante Bouschet Alicante Tinto, Tinta Fina, Tinta de Escrever, Uva Rei, Boal de Alicante, Boa!
Alvarelhão Brancelho, Brancelhao, Pirraúvo
Amaral Azal Tinto
Amostrinha Preto Martinho
Aragonez Tinta Roriz, Tinta de Santiago
Baga Tinta da Bairrada, Poerinho, Baga de Louro
Barca Tinta da Barca
Barreto Barreto de Semente
Bastardo Bastardinho
Bastardo Tinto Bastardo Espanhol
Bonvedro Monvedro Tinto, Monvedro de Sines
Borraçal Bogalhal, Carnho Grosso, Olha de Sapo, Esfarrapa, Murraçal
Bragão Tinta Bragão
Camarate Castelão, Castelão Nacional, Moreto, Moreto de Soure, Negro Mouro, Moreto
Carrega Burros Esgana Rapousas, Malbasias
Castelão Periquita, João de Castelão, Castelão Francês, 
Cidadelhe Tinta de Cidadelhe
Cornifesto Cornifesto Tinto
Engomada Tinta Engomada
Espadeiro Espadeiro Tinto, Padeiro, Cinza, Espadal
Fepiro Alentejana
Gorda Tinta Gorda
Graciosa Tinta da Graciosa
Grand Noir Sousão, Sumo Tinto
Grenache Abundante
Grossa Tita Grossa
Malandra Tinta Malandra
Malvasia Preta Moreto
Marufo Mourisco Tinto, Moroco, Uva do rei, Olho de Rei
Merla Tinta Merla
Moscargo Portalegre
Moscatel Galego Tinto Moscatel Tinto
Padeiro Padeiro de Basto
Pical Pical Polho, Pic Pul
Pilongo Turigo
Português Azul Branco Escola, Branco de Asa, Azal de São Tirso
Rabo de Anho Rabo de Ovelha
Ramisco tinto Ramisco
Ricoca Tinta Ricoca
Rodo Tinta Rodo
Roseira Tinta Roseira
Rufete Tinta Pinheira, Penamacor
Santareno Santarém
Sousão Sousão Forte, Sousão de Comer, Sousão Vermelho
Tinta Caiada Monvedro
Tinta Negra Negra Mole
Tinta Penajóia Tinta Roriz de Penajóia
Tinta Pomar Tinta Mole
Tinto Cão Padeiro, Tinto Mata
Touriga Fêmea Touriga Brasileira
Touriga Franca Touriga Francesa
Touriga Nacional Preta Mortagua, Azal Espanhol
Tricadeira Tinta Amarela, Trincadeira Preta, Crato Preto, Folha de Abóbora, Mortagua. Espadeiro, Toneiro, Negrada, Castelão
Valdosa Tinta Valdosa
Verejoa Tinta Verejoa
Verdelho Tto Verdelho, Verdelho Feijão, Feijão, Mindeço
Vinhao Tinto, Tinto Nacional, Negrão, Pé de Perdiz, Espadeiro Preto, Tinta Antiga, Tinta de Parada, Sousão

sábado, 2 de maio de 2020

VELHO MUNDO x NOVO MUNDO

Antes de entrar no detalhe de questões relativas aos vinhos vamos tentar tirar as duvidas a respeito dos significados de Novo Mundo e Velho Mundo.
Obviamente são duas posições antitéticas, de um lado temos o Novo Mundo, ou seja o lado do mundo que coincide com as Américas e suas ilhas próximas, ou seja o continente que era NOVO para o europeus. Em contraposição temos o Velho Mundo que é identificado como as partes das terras conhecidas antes das viagens de Cristovão Colombo e, normalmente, indicam os continentes da Europa, Ásia e Africa.
Se levamos esta diferenciação à área vinícola podemos identificar como vinhos do velho mundo os da Europa, (Itália, França, Espanha,Portugal, Grécia, etc.), já os do novo mundo da Califórnia, Argentina, Chile, Brasil, aí incluindo também Austrália, Nova Zelândia.
Não falaremos aqui se uns são melhores do que os outros, esta avaliação será deixada a cargo do leitor até porque, como sempre falo, cada um tem um paladar diferente e que mais se identifica com as características de produção de cada casta e de cada região: meu intuito é evidenciar as principais características de cada bloco de modo que vocês façam as devidas análises na hora da escolha do vinho a ser consumido.
VELHO MUNDO é sinônimo de tradição que está presente na produção das uvas, na elaboração do vinho e na fase de amadurecimento: aqui cada vinho tem uma história para contar com padrões de qualidade rígidos e leis vinculantes que devem ser obedecidas. A palavra chave para tudo isso é terroir: um conceito até poucos anos atrás muito difícil de ser exemplificado e que a OIV (Organização Internacional do Vinho e da Videira) definiu como a relação, quase mística, entre solo, clima e interação humana com a planta. É, portanto, a palavra chave que representa quase todos os fatores primordiais nas produções dos vinhos do Velho Mundo, e esta interação é que permite, junto as Denominações de Origens, que o objetivo seja a obtenção da melhor matéria prima possível para o produção do produto acabado VINHO. Deste jeito o produto final é um vinho cuja características são:
  • Grande equilíbrio entre aromas, sabor e texturas;
  • Sabores intensos;
  • Taninos macios;
  • Colorações elegantes e longevas;
  • Boa acidez;
  • Complexidades de aromas, e
  • Elevada identidade regional do cultivo.

Outra característica importante e de destaque dos vinhos do Velho Mundo são os rótulos: notadamente mais bem cuidados e de maior tradição estética, as informações que constam neles raramente remandam as uvas, mas tem muito mais a ver com as áreas de cultivo das mesmas e suas denominações de origens. O vinculo entre o território e o vinho é um dos pilares dos vinhos do Velho Mundo em que o terroir é parte indivisível e onde, para se enquadrar em uma denominação de origem específica, precisa respeitar à risca regras muito restritas.
Deste jeito temos na França as regiões de Bordeaux, Borgonha, Cotes du Rhone, Languedoc-Russillon, Champagnes com as próprías denominações (AOC, Vin de Pays e Vin de Tables), na tália as regiões do Piemonte, Veneto, Toscana, Puglia, Sicilia, etc. com as próprias denominações (Docg, Doc, Igt e vini da Tavola), na Espanha as regiões de Rioja, Ribera del Duero, Priorat, Rias Baijas e Penedés com as próprias denominações (DOCa. DO, Vino de la Tierra e Vino de Mesa) e no Portugal as regiões de Douro, Madeira, Minho, Alentejo com as próprias denominações (IPR, Vinhos Regionales e Vinhos de Mesa).
NOVO MUNDO se identifica mais com inovação: a maioria dos países pertencentes a este bloco foi descoberto e colonizado por europeus e foram eles que levaram as videiras para cultivo, mas devido as características do clima e dos solos se desenvolveram novas técnicas de cultivo que as do velho Mundo que geraram vinhos diferentes. A elaboração dos vinhos no Novo Mundo une parte da tradição dos países europeus com a inovação e a tecnologia inovadora necessária a adaptação das videiras, por isso podemos afirmar, em termos gerais, que os vinhos do novo mundo são mais versáteis e mais "comerciais", já que conquistaram em um breve espaço de anos os gostos dos novos consumidores internacionais ( de 20 à 29 anos) que preferem um vinho mais jovem, onde os aromas frutados sejam mais marcantes, com cor intensas e graduação alcoólica acima de 12,5%. Deste jeito podemos concluir que os vinhos do Novo Mundo possuem as seguintes características:
  • Textura mais macia;
  • Maior teor alcoólico;
  • Menor acidez;
  • Evidenciadas notas de carvalho;
  • Colorações mais intensas e concentradas, e
  • Sabores mais frutados.
As embalagens também evidenciam a jovialidade destes vinhos, especialmente nos rótulos que são menos "barrocos" e mais coloridos que os do Velho Mundo, com a grande diferença que, enquanto nos países da Europa o destaque se da na Denominação de Origem, os países pertencentes ao Novo Mundo ressaltam no rótulo o nome da casta principal com que o vinho é produzido (normalmente a maioria dos vinhos são varietais, ou seja uma única casta contribui de 75 à 85% com o blend do vinho) e só marginalmente na Denominação, até porque na maioria destes países as denominações são mais voltadas a enfatizar uma ferramenta comercial. Deste jeito temos na Argentina vinhos com Malbec, Bonarda e Torrontés, no Chile a Carmenere, Cabernet Sauvignon e Chradonnay, no Uruguay a Tannat, na Austrália Shiraz e Sauvignon Blanc, na Áfriva do Sul Pinotage e Shiraz.