segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A NOVA CARA DO SOMMELIER: CONECTAR O VINHO ÀS PESSOAS

Com 28 anos, natural de Padova, Nicola Martin é o Melhor Sommelier do Veneto de 2026, segundo o prestigioso concurso organizado anualmente pela Associação Italiana de Sommeliers – AIS Veneto. Além de trabalhar como sommelier profissional no restaurante Exforo, em Padova, Martin também adora comunicar nas redes sociais para promover uma maior conscientização do consumidor final e combater a desinformação. Pois, para ele, o papel do sommelier hoje é também sensibilizar as pessoas para a cultura do vinho, sobretudo as novas gerações.

Olhem o que ele respondeu em uma recente entrevista a um canal digital do setor:

QUAL O PAPEL DO SOMMELIER HOJE, SE BASEANDO NA SUA EXPERIÊNCIA?
Acho que, hoje em dia, o sommelier não é simplesmente, como antigamente, aquela figura de atendimento ligada ao vinho que atua exclusivamente em restaurantes, mas também um porta-bandeira, porta-voz e comunicador do cenário vinícola. Para mim, a principal função do sommelier é conectar a vinícola e seu vinho ao consumidor; portanto, ele não desempenha mais um simples papel comercial.
Por isso, muitos sommeliers também se especializam em redes sociais: é preciso sair um pouco do antigo paradigma do vinho.

NA SUA OPINIÃO, COMO DEVE SER A COMUNICAÇÃO SOBRE O VINHO, TANTO À MESA, QUANTO NAS REDES SOCIAIS?
Eu gosto de usar as redes sociais; utilizo-as, por um lado, como “válvula de escape pessoal”, mas também para chamar a atenção dos meus seguidores para certos assuntos.
Faço isso porque vejo que há muita desinformação em geral: pessoas que se autodenominam sommeliers, influenciadores de vinhos, ou que são pagas por algumas empresas para fazer propaganda e conseguem influenciar as decisões de compra dos consumidores. Dito isso, acredito que, antes de tudo, a comunicação deve ser confiável, baseada em fontes sólidas. Precisamos dar peso ao que estamos comunicando e, acima de tudo, precisamos nos modernizar: transmitir uma mensagem mais simples e eficaz. Adoro usar palavras concisas no restaurante, analiso quem está à minha frente e gosto de me adaptar ao interlocutor e às suas necessidades.

COMO MUDOU A RELAÇÃO ENTRE RESTAURAÇÃO, VINHO E CONSUMIDOR?
Certamente, este último ano marcou profundamente a forma como o cliente encara o vinho no restaurante. O cliente consome muito menos, e isso obriga os profissionais do setor, a fazer compras com mais cuidado. Não é mais como há um ou dois anos, quando ter um estoque grande não era um problema. Hoje, o consumidor está muito mais atento ao que bebe, faz muito mais perguntas e é muito mais curioso. Se bebe menos, quer estar mais informado e escolher algo interessante.
Percebo que os percursos de degustação, nos quais me divirto mais porque combino vinho, cerveja, saquê e destilados, tiveram uma queda impressionante nas vendas. As pessoas não estão tanto preocupadas com o que vão beber, mas com a quantidade

COMO VOCES ESTÃO LIDANDO ESTAS MUDANÇAS?
Acho que o futuro está na introdução de combinações sem álcool ou alternativas ao vinho. Por exemplo, na minha seleção de oito taças, incluí três opções alternativas: um chá preto defumado, um suco de uva, uma cerveja e outras bebidas sem álcool. Se o consumo diminuir, precisamos ser ainda mais precisos na pesquisa, pois, se um cliente decidir beber apenas uma taça, essa taça precisa ser realmente gratificante.

QUANTO INCIDE O ASPECTO ECONOMICO NAS ESCOLHA DOS CLIENTES?
Isso certamente faz diferença. Hoje, o cliente acessa o Tannico ou o Google antes mesmo de conversar com o sommelier e verifica o preço da garrafa para saber se está fazendo um bom negócio. Por isso, atualmente, no setor de restaurantes, as margens de lucro devem ser bem ponderadas e escolhidas com cuidado.

QUAL A RELAÇÃO DOS JOVENS COM O VINHO, HOJE EM DIA?
Percebo um grande desinteresse em relação ao vinho. Eles preferem coquetéis, gin tônica, spritz ou, se optam pelo vinho, escolhem as grandes denominações que estão fazendo uma grande campanha de divulgação. É preciso estimular esse interesse e fazer muita divulgação para tirar da cabeça dos jovens a ideia de que o vinho é algo chato. Também acho que é mais interessante ter jovens falando sobre vinho, porque eles estão mais próximos da linguagem deles.

QUE MENSAGEM O SENHOR GOSTARIA DE TRANSMITIR AOS COLEGAS OU AO MUNDO DO VINHO EM GERAL?
É preciso conscientizar as pessoas sobre o consumo responsável de vinho e não se limitar aos preconceitos. O papel do sommelier é cada vez mais importante para promover uma cultura do vinho e divulgá-lo, sobretudo entre as novas gerações. Percebo que também associações como a AIS estão indo na direção certa, simplificando a linguagem e se abrindo para novas tendências, como o orgânico, o biodinâmico e o natural. Agora, é preciso conseguir levar essa mensagem a quem nos ouve.

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