segunda-feira, 16 de junho de 2025

FRAUDE EM CHAMPAGNE, 800.000 GARRAFAS FALSIFICADAS

O enólogo Didier Chopin é acusado de fraude, uso indevido de denominações de origem e uso indevido de ativos da empresa por produzir e vender garrafas falsificadas de champanhe entre 2022 e 2023. De acordo com as estimativas dos promotores, 800.000 unidades foram produzidas no departamento de Aisne com uma receita baseada em vinhos espanhóis e também outros de Ardèche (outro departamento francês), aos quais foram adicionados aromatizantes, dióxido de carbono e licores, conforme relatado pela revista de vinhos "La Revue du Vin de France". A bebida falsificada era então transportada para o Marne, onde o viticultor possuía uma verdadeira propriedade de champanhe, e lá os rótulos eram colocados às garrafas para vendê-las a distribuidores franceses a preços de banana (especialmente na distribuição na Grande Distribuição), mas também em mais de 40 países no exterior. E é por isso que o Civc (Comité Interprofessionnel du Vin Champagne), o Inao (Institut national de l'origine et de la qualité) e a Cgt (Confederation of Champagne Workers) entraram com uma ação civil contra a Chopin, com o apoio de um delator que revelou todo o caso em agosto de 2023.Sua esposa, Karine Chopin, também está sendo acusada de fraude e uso indevido da denominação.

Um julgamento que começou dia 11/06 no tribunal de Reims, no qual o réu admitiu sua culpa, mas a minimizou: “Cometi alguns erros muito graves”, disse ele, “mas não fiquei rico”. Ele disse que agiu dessa forma porque foi “muito pressionado” pela Scapest, a agência central que abastece os supermercados Leclerc e com a qual Chopin tinha um contrato. Entrevistado pelo canal de notícias francês Tf1, o réu disse que “veio para explicar a verdade” e "produziu algumas garrafas de champanhe falsificadas. Cerca de 200.000". Só que, durante a audiência, ele aumentou o número para ‘500.000-600.000’, ‘talvez até mais’, com os magistrados suspeitando que, na realidade, há pelo menos 800.000. 

Ele pode pegar cinco anos de prisão e uma multa de 375.000 euros.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

CONSUMOS DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NA ITÁLIA - RELATÓRIO ISTAT 2025

Na Itália, o consumo ocasional de álcool está crescendo, enquanto o consumo diário está caindo, e o vinho não é mais o “rei” indiscutível da mesa. O Relatório Anual 2025 da Istat (Instituto Nacional de Estatística), apresentado no meado de Maio em Roma, esclareceu essa tendência. "Observamos mudanças profundas ao longo do tempo: houve uma mudança do consumo moderado e diário de vinho durante as refeições para padrões mais parecidos com os dos países nórdicos, que não dizem mais respeito apenas ao vinho, mas também cerveja e destilados. Esses últimos, geralmente consumidos fora das refeições e não diariamente, concentram-se em ocasiões específicas (por exemplo, fins de semana) e, às vezes, são levados ao excesso e à embriaguez (o chamado binge drinking)". Em particular, o relatório continua explicando que "nos últimos 25 anos, entre a população com 15 anos ou mais, enquanto o consumo geral de álcool (vinho, cerveja e outras bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por ano) permaneceu quase estável em 70,6% em 1999 e 68,7% em 2023, houve, de um lado, uma redução no consumo diário (de 33,3% para 19%) e, por outro, um aumento no consumo ocasional (de 37,3% para 49,8%) e no consumo fora das refeições (de 23,8% para 33,4%); os hábitos de consumo excessivo de álcool permanecem quase estáveis (7,3% em 2003 e 7,8% em 2023)". Ao longo do tempo, com a mesma idade, o consumo diário cai significativamente de geração em geração. Enquanto entre os nascidos no período imediatamente pós-guerra o consumo diário chegou a 40,3% na faixa etária de 45 a 49 anos, entre os nascidos entre 1970 e 1974 ele caiu para 18,8%. A tendência oposta para o consumo fora das refeições, que, se para os nascidos entre 1965 e 1969 era de 29,6% aos 35-39 anos de idade, sobe para 49,1% entre os nascidos na geração 1985-1989. O consumo diário de álcool afeta mais os homens do que as mulheres, mas observa-se uma redução para ambos. O consumo de álcool fora das refeições, por outro lado, mostra tendências muito semelhantes por gênero, mas em níveis mais altos para os homens. E se o conceito de “moderação” deve ser o caminho a seguir para todos, o hábito da embriaguez se revela um fenômeno tipicamente juvenil, com o pico atingido na idade de 20 a 24 anos, onde oscila em torno de 15% em todas as gerações nascidas entre 1984 e 2004, e depois diminui em idades mais avançadas. Entre a geração nascida entre 1970 e 1974, o consumo excessivo de álcool afetou 9% aos 35-39 anos de idade, porcentagem que aumenta para 15,2% na mesma idade entre os nascidos entre 1985 e 1989.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

OS 20 VINHOS MAIS PROCURADOS E PESQUISADOS DO MUNDO, EM 2025

 De acordo com o portal Wine Searcher, o guia de referência em fato de pesquisa e comparação de preços de vinhos a nivel mundial, em 2025 os primeiros 20 vinhos mais procurados nas pesquisas foram: Chateau Lafitte Rothchild, Chateau Mouton Rothchild, Chateau Latour, Chateau Margaux, Petrus, Chateau d'Yquem, Dom Perignon Brut, Chateau Haut-Brion, Sassicaia della Tenuta San Guido, Domaine de la Romanee-Conti Romanee-Conti Grand Cru, Chateau Pontet Canet, Chateau Cheval Blanc, Chateau Lynch-Bages, Chateau Montrose, Opus One, Chateau d'Estournel, Chateau Palmer Domaine de la Romanee-Conti La Tache Grand Cru Monopole, Tignanello di Marchesi Antinori e Chateau Leoville-Las Cases "Grand Vin de Leoville". 

O que emerge, como sempre, é um “top 20” que fala essencialmente francês e, entre as poucas exceções, as cores da Itália se destacam graças ao Sassicaia (nº 9), a joia da Tenuta San Guido e Bolgheri, um dos simbolos da excelência da indústria vinícola italiana, e um “clássico” em termos de prêmios e reconhecimento, o Tignanello da Marchesi Antinori (nº 19), outro vinho italiano icônico produzido por uma das famílias mais importantes do mundo do vinho. O Opus One, entre as referências do Napa Valley, é o único vinho estrangeiro no ranking. Embora seja verdade que tudo está mudando, desde os estilos de produção que estão evoluindo até o consumo que cada vez mais premia um elemento como o drinkability, entendido como simplicidade, frescor e elegância, os rótulos mais procurados continuam sendo, no entanto, sempre os grandes clássicos, os vinhos consagrados, os de qualidade reconhecida, valores importantes e marcas fortes, o “sonho” perene dos amantes do vinho, dos assim definidos "big spenders" e dos colecionadores.

Uma lista de vinhos de absoluto prestígio que compõe “The Most Wanted Wines of 2025” da Wine Searcher e que confirma seus nomes (apenas as posições no Top 10 mudam) mesmo comparando-os com a edição anterior. Uma lista que também mostra como é forte o mito de Bordeaux, dominando o ranking, e o prestígio de alguns dos territórios vinícolas mais icônicos que, pelo menos com suas joias, continuam a brilhar sob sua própria luz: da Borgonha a Bordeaux, de Champagne à Toscana e Napa Valley na Califórnia.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

SUPERFICIE PLANTADA, PRODUÇÃO, CONSUMO DE VINHOS NO BRASIL

Sabemos que mudanças climáticas, quebras de safra, inflação, mudanças nos hábitos de consumo, guerra tarifária e conflitos geopolíticos foram os fatores principais que induziram uma queda na produção e no consumo de vinhos a nível mundial, mas qual a situação no Brasil?

Com base no novo relatório da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, podemos afirmar que o cenário atual é, no mínimo, desafiador para o setor vitivinícola. O Brasil, em contraste com outros países da América do Sul, se destacou por expandir sua área de vinhedos pelo quarto ano consecutivo, registrando 83 mil hectares, um crescimento de 1,6% no período de 2023/2024, mas quanto a produção e consumo, segiu o trend internacional de diminuição. No que diz respeito a produção, o volume global de vinhos produzidos atingiu o patamar mais baixo desde 1961, chegando a 225,8 milhões de hectolitros, uma queda de 4,8% em relação a 2023 e no Brasil não foi diferente: foi registrada uma expressiva quebra de safra no 2023/2024 por causa das condições climáticas adversas, com um volume de produção de 2,1 milhões de hectolitros, 25,2% abaixo da média dos cinco anos anteriores. O consumo também teve uma contração significativa (-10,1%) em comparação ao 2023, com 3,1 milhões de hectolitros contra os 3,5 de 2023, 3,6 de 2022 e 4,1 de 2021 (record histórico de consumo interno de vinhos). Se estes dados divulgados agora são preocupantes, ao mesmo podem ser uma oportunidade, para isso é necessário um investimento cada vez maior no setor de vinho no Brasil, um mercado que tem grande potencial mas precisa ser trabalhado. Em 2020 e 2021 – em plena pandemia – o consumo de vinhos no Brasil chegou a 4,1 milhões de hectolitros, atingindo um recorde. Em pouco menos de quatro anos, o mercado brasileiro viu ‘volatilizar’ 1 milhão de hectolitros – ou 100 milhões de litros de vinho. 

Como afirmou Caroline Dani, pesquisadora e Presidente da ABS-RS " observamos uma redução do consumo, mas também uma redução de produção e de superfície de vinhedos plantados. Isso dá um certo equilíbrio na economia: quanto menos uva, menos vinho, menos consumo. É importante em termos de equilíbrio de setor. Por conta da quebra da safra de 2024, tivemos uma redução significativa na produção do Brasil, dados que foram confirmados agora pela OIV, por outro lado, o Brasil era um dos países com maior consumo e perspectivas de aumento de consumo, mas esse ano houve uma queda. No meu entender - conclui Carolina,  temos que pensar no Brasil também como produtor de uvas para consumo in natura e suco de uva" reforçando o potencial do suco de uva nacional


terça-feira, 10 de junho de 2025

PRODUÇÃO MUNDIAL DE VINHO EM 2024

Para o vinho, 2024 foi um ano caracterizado pelo sinal de “menos” em nível internacional e global e, portanto, do consumo à produção, da área cultivada com videiras às exportações em valor, tudo diminuiu.

Em termos de produção, em 2024, de acordo com o relatório da OIV, a produção global de vinho, excluindo sucos e mostos, é estimada em 225,8 milhões de hectolitros, uma diminuição de -4,8% em relação a 2023: esse é o segundo ano consecutivo de queda acentuada, e o nível de produção mais baixo desde 1961 (219 milhões de hectolitros), quando as geadas da primavera atingiram os principais vinhedos do sul da Europa, especialmente na França. Assim como em 2023, os eventos climáticos extremos ou atípicos tiveram grande influência na produção global, com geadas precoces, chuvas fortes e secas prolongadas tendo um impacto dramático na produtividade dos vinhedos. Além disso, em algumas regiões, essa baixa produção também reflete a diminuição dos volumes de consumo. Os números de 2024 levam em conta o volume de produção de uvas para vinho colhidas no primeiro semestre de 2024 no Hemisfério Sul e no segundo semestre de 2024 no Hemisfério Norte.

A produção na União Europeia em 2024 foi estimada em 138,3 milhões de hectolitros (-3,5% em relação a 2023), o menor volume de produção registrado desde a virada do século, e também menor do que em 2017 (141,5 milhões de hectolitros). O impacto da mudança climática foi significativo. A Itália se confirma como a maior nação produtora de vinho do mundo e um dos poucos países com um sinal positivo, graças aos 44,1 milhões de hectolitros (+15% em relação a 2023), embora o volume para 2024 ainda seja 6% menor do que a média dos ultimos cinco anos. As condições climáticas adversas afetaram a maioria das regiões vinícolas da Itália, especialmente no norte, onde uma parte significativa dos vinhedos foi atingida por chuvas de granizo. A França, segunda colocada no ranking mundial, produziu um volume de 36,1 milhões de hectolitros em 2024, mas 11,1 milhões de hectolitros (-23,5%) foram perdidos em comparação com 2023 (-17,9% na média de cinco anos, o nível de produção mais baixo desde 1957). A queda na produção de vinho francês em 2024, segundo a OIV, se deve novamente  às condições climáticas adversas em todo o país, desde a floração até a colheita, que afetaram as regiões vinícolas, com problemas como chuvas contínuas, surtos de doenças fúngicas (míldio in primis), floração ruim, seca e tempestades de granizo, reduzindo drasticamente os rendimentos. A Espanha mantém sua posição como o terceiro maior produtor de vinho do mundo, com um volume de produção em 2024 de 31 milhões de hectolitros (+9,3%), mas 11,1% abaixo da média de cinco anos. Esse aumento, impulsionado por colheitas relativamente positivas em Castilla-La Mancha e Extremadura, representa uma recuperação parcial das graves secas de 2023, mas o estresse hídrico contínuo continua sendo um grande desafio para os viticultores. 

Itália, França e Espanha, juntas, respondem por metade da produção mundial de vinho (49,3%). Em quarto lugar estão os Estados Unidos (21,1 milhões de hectolitros, -17,2%, um número influenciado pela safra da Califórnia, a menor desde 2004), à frente da Argentina (10,9 milhões de hectolitros, +23,3%), Austrália (10,2 milhões de hectolitros, +5,3%), Chile (9,3 milhões de hectolitros, -15,6%), África do Sul (8,8 milhões de hectolitros, -5,1%), Alemanha (7,8 milhões de hectolitros, -9,8%) e Portugal (6,9 milhões de hectolitros, -8,2%).

segunda-feira, 9 de junho de 2025

EM 2024 O CONSUMO MUNDIAL DE VINHO DIMINUI

De acordo com as estimativa da OIV (Organização Internacional da Videira e do Vinho) o consumo mundial de vinho em 2024 deve registrar um volume de 214,2 milhões de hectolitros, 3,3% a menos em comparação a 2023. A queda da demanda nos principais mercados, aliada aos altos preços médios impulsionados pelos baixos volumes de produção e pelos efeitos persistentes da inflação passada, dificultou o ano, sem esquecer que a diminuição progressiva do consumo também foi influenciada pela evolução dos estilos de vida, pela mudança de hábitos sociais e pelas mudanças geracionais. Como resultado, quinze dos vinte principais mercados do mundo registraram uma diminuição no consumo em 2024 em comparação com 2023. A União Europeia representa um mercado de vinhos de 103,6 milhões de hectolitros, ou 48% do consumo mundial. (-2,8% em relação ao ano anterior e -5,2% na média de cinco anos).

Nos EUA, o maior mercado de vinhos do mundo, o consumo caiu -5,8% em relação a 2023, para 33,3 milhões de hectolitros. A França continua sendo o principal consumidor de vinho da Europa em 2024, com um consumo estimado de 23 milhões de hectolitros, uma queda de 3,6% em relação a 2023 e 4,9% abaixo da média dos últimos cinco anos. A Itália, o segundo consumidor de vinho da Europa e o terceiro do mundo, registrou um nível de consumo de 22,3 milhões de hectolitros em 2024, um volume em linha com 2023 (+0,1%) e 3,6% abaixo da média de cinco anos. A Alemanha, o terceiro maior mercado da UE, tem um volume de consumo estimado em 17,8 milhões de hectolitros em 2024 (-3% em relação a 2023). O consumo também diminuiu no Reino Unido (12,6 milhões de hectolitros, -1%), mas não na Espanha (+1,2%, para 9,9 milhões de litros) e na Rússia (8,1 milhões de hectolitros, +2,4%), enquanto a hemorragia do consumo na China (o décimo maior consumidor do mundo) continua, caindo para 5,5 milhões de litros em 2024 (-19,3% em relação a 2023): em 2019, o consumo no país do Dragão foi de 15 milhões de litros.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

EM 2024 ITÁLIA RETOMA PRIMAZIA NA PRODUÇÃO MUNDIAL DE VINHOS

44 milhões de hectolitros: esse é o número oficial para a safra italiana de 2024, com base nas soma das comunicações enviadas pelas diversas agências regionais ao Ministério da Agricultura. O aumento de produção de pouco mais que 15% em comparação ao 2023 faz de modo que a Itália retome a primazia entre os países produtores de vinho, ultrapassando a França cujo volume produzido ficou em 36,1 milhões de hectolitros. Do valor total 17,4 milhões foi a produção de vinhos tintos e rosés e 26,5 milhões de brancos e espumantes, além de 200.000 hectolitros de mostos e suco de uva. Quanto a produção por denominação foram produzidos pouco mais de 21 milhões de hectolitros de vinhos DOP, 11,7 milhões de hectolitros de  IGP e 10,7 milhões de hectolitros de vinhos genéricos, confirmando mais uma vez a alta qualidade dos vinhos italianos produzidos (72% dos vinhos são DOCG, DOC e IGT).