quinta-feira, 27 de outubro de 2022

AS CANTINAS MAIS BONITAS DO MUNDO

Todo mundo já sabe que a Itália é um dos países mais lindos do mundo, pelas suas cidades artísticas e históricas e pelas suas paisagens, muitas vezes caracterizadas pela presença de vinhedos. Agora também passa a ser conhecida como o País com as cantinas mais belas do mundo.

"The World's Best Wineyards 2022" é uma classifica que todo ano é elaborada com as mais bonitas vinícolas do mundo; a edição 2022 foi divulgada esta semana em Mendoza, Argentina, e o primeiro lugar é ocupado pela Cantina Antinori na área do Chianti Classico, obra prima de arquitetura assinada pela família Antinori por Marco Casamonti:


Renzo Cotarella, CEO de Antinori, comenta assim o resultado alcançado: "Este é um resultado que nos gratifica muitíssimo, pois este não é somente um reconhecimento dado a Antinori, mas sim a todo o Chianti Classico. Esta cantina foi construída em 2008 em um momento muito complicado, no ápice da crise financeira internacional, e premia nossos esforços e a capacidade da Antinori de enxergar o futuro no longo prazo. É uma forma de enaltecer o território do Chianti Classico que é nosso berço, onde tudo começou e uma maneira de premiar uma geração específica, aquela de Pietro Antinori, que deixou uma outra pérola para o território assim como sues ancestrais deixaram para história, em Firenze, Palazzo Antinori."

Além do primeiro lugar a Itália é representada com outras duas empresas, a Ferrari Trento, onde se elaboram espumantes método clássico, no 11 lugar e a Donna Fugata, n.49 do mundo, um dos principais produtores da Sicília. 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

AS VIDEIRAS E O ESTRESSE HÍDRICO

 Este ano, mais do que nunca, a Europa está sofrendo com a estiagem prolongada e em alguns estados a videira já vem sofrendo com estresse hídrico. Considerando que o verão europeu está longe de terminar, os produtores de uvas para vinho de Itália, França e Espanha estão muito preocupados com as consequências de falta de chuvas. Mas, de fato, qual poderiam ser os problemas que a seca pode levar para a videira?

No curto prazo a consequência imediata é uma diminuição nos volumes produzidos e grandes dificuldades na fase do amadurecimento. Analisando as questões relativas ao ciclo vegetativo da videira, sem ser técnicos demais, antes da coloração (ou maturação) a seca limita a biossíntese dos taninos, dos ácidos orgânicos e de alguns precursores aromáticos, além de limitar o teor de açúcar das uvas e o tamanho dos bagos. Obvio que estas consequências variam, e muito, em função dos tipos de terreno e das castas em consideração.

Por exemplo, os terrenos argilosos, onde o solo tem a capacidade de capturar a água e de disponibilizá-la de forma gradual, garantem uma melhor resposta em termos fisiológicos ao estresse hídrico. As diversas castas se podem dividir em duas grandes famílias em relação ao comportamento à estiagem: as isoídricas e as não isoídricas. Isoídrico é o comportamento das plantas que fecham logo os estômatos para manter a água no interior da planta, garantindo um nível hídrico estável nas folhas durante o dia, para reduzir a transpiração e, de consequência, a perda hídrica. Porém o fechamento dos estômatos não permite a entrada de CO2, limitando, deste jeito a fotossíntese da planta. Uma das castas que tem este comportamento é a Montepulciano, que sofre bastante a estiagem.

Quando falamos de comportamento não isoídrico a planta reage a falta de água fechando só parcialmente os estômatos, de forma a garantir o cumprimento da fotossíntese. É o caso da casta Sangiovese, a rainha das uvas viníferas italianas, especialmente da Toscana, que é capaz de suportar até longos períodos de estiagem.

Além das consequências de curto prazo, qual poderiam ser os impactos das estiagens prolongada no longo prazo? Como explicou a revista francesa "Vitisphere" Alaine Deloir, professor do Istitut Agro de Montpellier e um dos maiores experts de fisiologia da videira da França, "as chuvas e a irrigação durante o amadurecimento não permitem recuperar o que foi perdido e a estiagem dificulta ainda mais a estocagem do carbono no solo, uma falta que a videira pagará só daqui a 10 anos"

terça-feira, 7 de junho de 2022

Valor da produção do vinho no mundo 2021 - Estimativas atualizadas

 As informações que publicarei foram obtidas a partir das informações da OIV atualizadas para 2021 com os preços médios das exportações dos últimos 3 anos dos principais países produtores, de modo a apresentar uma indicação mais correta possível sobre o valor económico da produção de vinho dos vários países.

O ano de 2021 foi caracterizado por dois fatores predominantes: a diminuição do volume produzido de 4% e um leve aumento do preço médio dos vinhos em comparação ao 2020. A França em 2021 perdeu 27% da produção em volume, o que determinou uma diminuição significativa no valor da produção, mas no final das contas o valor global da produção de vinho ano passado foi de 74 bilhões de Euro, o valor menor desde 2015. Desde valor global 24 bilhões são da Franca (-24%), 14 bilhões são da Itália (-9% que corresponde a diminuição do volume produzido) e quase 9 bilhões são dos EUA; os restantes 29 bilhões são divididos entre os outros produtores com Espanha e Austrália com, aproximadamente, 4 bilhões de Euro de valor cada.


Se analisarmos as tendências de médio/longo prazo, com uma média de 3 anos a França corresponde ao 35% do valor do vinho mundial, já a Itália ao 18% e os EUA a pouco mais que 10%. Se analisarmos, porém, as linhas de tendência a Itália parece ser o país com maior crescimento estável, ganhando, em média 880 milhões de Euros em valor, contra os 550 da França e os 500 dos EUA.

Seguem algumas tabelas macro sobre o valor do vinho exportado, a produção em volume e o valor da produção obtida pelo método evidenciado no começo deste artigo:





quinta-feira, 31 de março de 2022

Aumenta o amor dos italianos para com o vinho

 É isso mesmo!! E este é um dado oficial que foi evidenciado ontem em Roma na apresentação da última pesquisa "Os italianos e o vinho" realizada pelo Observatório Vinitaly-Nomisma Wine Monitor e que faz parte dos eventos preparatórios para a próxima VinItaly que será realizada de 10 até 13 de Abril em Verona.

Como antes, melhor que antes: o amor dos italianos para o vinho ainda é grande, até maior que no último período antes do Covid. No último ano o 89% dos italianos bebeu vinho, dado em alta em comparação a 3 anos atrás, graças especialmente ao aumento exponencial de jovens com mais de 18 anos, protagonistas de consumo moderado e consciente. O quadro que se define para os italianos é de uma paixão douradora com o néctar de Baco aonde se acrescenta a natural curiosidade da população mais jovem. Em comparação com 2019, os consumidores pertencentes à Geração Z e Millenials (18-41 anos) aumentaram consideravelmente de número (de 84% para 90%) mas não nas quantidades, enquanto fica estável a incidência dos consumidores da Geração X (42-57 anos) e diminui a cota dos Baby Boomers (mais de 57 anos) que não são mais os primeiros em número (de 95% para 90%) mas continuam em frequência de consumo.

Em comparação com 3 anos atrás são diferentes os contornos de novidades ligados as tipologias mais consumidas. Em conformidade a quanto publicado no estudo a tendência de crescimento mais consistente diz respeito ao consumo de vinhos mixados (principalmente Spitz) que correspondem ao 63% dos consumidores contra o 56% de 2019. Mas os números altos nem sempre correspondem as quantidades: os espumantes, assim como os vinhos roses e o Spitz são objetos de consumo esporádico, especialmente para os consumidores com menos de 40 anos, com só o 20% que os bebes pelos menos uma vez por semana. Bem diferente a situação do vinho tinto, que continua sendo o ponto firme dos consumidores regulares, com cerca o 60% dos Baby Boomers que os bebem 2 o 3 vezes por semana, enquanto 1/3 deles os bebem todos os dias. 

Outras informações interessantes que se destacaram na pesquisa são as escolhas futuras dos consumidores que estão sempre mais voltados para os vinhos biológicos/sustentáveis. Esta categoria detém o maior potencial de crescimento futuro com o 27% da preferência dos consumidores contra uma diminuição de 6% para os vinhos autóctones (de 28 para 22% das preferências), uma revolução green chefiada pelos Millennials (18-41 anos), cuja cota para as escolhas sustentáveis sobe além do 32%, enquanto os autóctones diminuem até 18%. Esta tendência green é clara e amparada pela disponibilidade dos consumidores em gastar até 10% a mais para comprar um vinho que esteja em conformidade com a própria ética e crenças ambientalistas.

Enquanto as regiões preferidas dos consumidores não mudaram muito em comparação ao período pre-Covid, com Veneto, Toscana e Piemonte encabeçando as preferências, seguidas pela Puglia e Sicilia, muda muito o tipo de vinho que os consumidores querem beber no futuro: fáceis de beber, leves, com baixa graduação alcoólica ou "no alcool". 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Exportações de vinho de Itália e França disparam em 2021

Os dados recém publicados pelas respectivas entidades governamentais de Itália e França mostram que ano passado as exportações de vinho dos dois principais países produtores de vinho do mundo tiveram recordes históricos registrando valores maiores aos períodos pre pandemia.
FRANÇA
Os dados publicados pela FEVS (Fedération des exportateurs de vins et spiritueux de France) mostram como o valor das exportações francesas de vinhos atingiu a marca impressionante de 15,5 bilhões de Euros, representando um aumento de 28% em comparação a 2020. O que realmente impressiona é a comparação com os valores das exportações pre pandemia (2019): os vinhos e destilados registraram um aumento em 2021 de 11% atestando que as exportações francesas não somente recuperaram os volumes perdidos durante a Covid, mas chegaram a ultrapassá-los, com todas as categorias de produtos e regiões produtivas registrando dados positivos de crescimento.
A China é o país que mais contribuiu para aumento das exportações francesas: mesmo sendo só o terceiro destino das exportações francesas, atrás dos EUA e Inglaterra, o volume das exportações para China chegou a 1,3 bilhões e Euros, um aumento de 57% em comparação a 2020. Além da diminuição das medidas restritivas ligadas a Covid 19, talvez o motivo principal deste resultato fantástico seja a imposição, por parte do governo chinês, de medidas antidumping sobre as importações de vinho australiano, que chegaram a serem taxados até 218%.
ITÁLIA
Os dados ISTAT (Istituto Nazionale di Statistica) elaborados pelo observatório UIV-Vinitaly-Ismea afirmam que as exportações de vinhos italianos em 2021 registraram um aumento, em valor, de 12,4% em comparação ao ano anterior, com o aumento em volume de 7,7% chegando a 22,2 milhões de hectolitros exportados.
Grande destaque para os vinhos DOP italianos que representam 2/3 das exportações de 2021 e que registram um aumento de 15,8% em valor. Se destacam positivamente, também, os vinhos IGP (+5,4%) e os vinhos comuns (+8,9), levando a categoria de vinhos não espumantes a um trend positivo, em valor, que alcança +12,3%. Melhor que isso só os vinhos espumantes (+25,3%) graças principalmente a um novo record de exportação dos Prosecco (+32%).
Os principais destinos tradicionais dos vinhos italianos registram, todos, sinais positivos: EUA (18,4%) seguido por Alemanha e Inglaterra, já entre os destinos "emergentes" a China registra um +29,2% e a Corai do Sul +75,5%

quinta-feira, 3 de março de 2022

DOP e IGP na Itália: números e valores de 2020

 Desde 2003 os relatórios ISMEA QUALIVITA publicam anualmente uma fotografia detalhada das produções alimentares e vitivinícolas DOP, IGP e STG. O relatório de 2021 analisa o cenário europeu e italiano das DOP e IGP de 2020, os dados produtivos dos setores agroalimentar e vitivinicola, os resultados econômicos por região, os consumos na grande distribuição e a evolução dos produtos de transformação.

Aprofundaremos as informações publicadas somente sobre o setor vitivinicola, lembrando aos leitores menos familiarizados com as denominações que DOP é a denominação europeia para os vinhos e alimentos de maior qualidade (Denominação de Origem Protegida), que na Itália inclui para o setor vinícola as denominações locais DOCG e DOC, e que IGP é a denominação europeia para os vinhos e alimentos com uma menor vinculação territorial (Identificação Geográfica Protegida), que corresponde a denominação italiana IGT para os vinhos. Dito isso, atualmente na Itália os vinhos DOP e IGP são 526: 408 DOP (78 DOCG e 330 DOC) e 118 IGP com um valor, em 2020, de 9,27 bilhões de Euros dos quais 81% (7,49 bilhões) é vinho DOP engarrafado e o restante 19% (1,78 bilhões) é IGP. Esta operação ocupa 113.335 operadores entre viticultores (102,310), produtores (14.870) e engarrafadores (2.947).

As 5 primeiras DOP e IGP em valor eram Prosecco DOP, Delle Venezie DOP, Conegliano Valdobbiadene DOP, Asti DOP e Amarone della Valpolicella DOP, já no que diz respeito aos volumes as primeiras cinco posições são ocupadas por Prosecco DOP, Delle Venezie DOP, Puglia IGP, Montepulciano d'Abruzzo DOP e Sicilia DOP.

Em 2020 os maiores mercados de exportação para os vinhos DOP e IGP italianos foram EUA, Alemanha, Inglaterra, Suíça e Canada por um valor de 5,52 bilhões de Euro, sendo que o 62% das exportações tem como destino os países fora da União Europeia e o 38% dentro da UE.

Os dados das exportações nos últimos dez anos 2010-2020 registam um crescimento vigoroso com os vinhos DOP aumentando em 97% e os IGP 27%. Estes dados só não são melhores porque as exportações dos IGP desde 2017 estão caindo enquanto os DOP só registaram uma pequena queda em 2019. Já em 2020 foi registrada uma diminuição, em valor, das exportações devido a diminuição dos espumantes e dos vinhos DOP não frisantes, causada pela pandemia de Covid 19.

O peso dos vinhos DOP e IGP sobre o total das exportações corresponde ao 83% em valor e 74% em volume, mostrando como estas denominações são importantes a nível internacional porque representam a tutela dos padrões de qualidade dos produtos agroalimentares, além de fornecer aos consumidores garantias sobre as práticas de produção. 

Se analisarmos as informações relativamente as regiões italianas surge que são as regiões do Centro-Norte que mais se beneficiam das vendas de vinhos DOP e IGP, especialmente o Veneto (3,29 bilhões de Euros), o Piemonte (1,02 bilhões), Toscana (1,0 bilhões), Friuli Venezia Giulia (594 milhões) e Trentino Alto Adige (578 milhões).


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

2021 marca a retomada dos Espumantes

 2021 marca a retomada do consumo dos vinhos em geral que, depois das baixas nas vendas registradas em 2020 causa lockdown pela Covid 19, estão reagindo de forma vigorosa retornando ou até melhorando os volumes de 2019. Esta e a tendência registrada em todos os principais países produtores de vinhos, da Itália a França, passando pela Espanha, para todos as categorias de vinhos. 

Os mais prejudicados pela crise de 2020 foram, sem sobra de dúvidas, os espumantes, protagonistas dos consumos fora de casa, e desde sempre sinónimos de festa e celebração, que mais de qualquer outra categoria sentiram na própria pele as consequências das medidas restritivas impostas durante a primeira onda de infecções do Covid. Quem tinha vontade de festejar quando todos estavam sendo infectados por esta misteriosa virose? Começando pela Itália 2021 foi um ano de recordes em conformidade a quanto divulgado pela Coldiretti (Organização dos empresários agrícolas italianos), com mais de 1 bilhões de garrafas produzidas, registrando um aumento de 23% em comparação a 2020. Números expressivos aonde o sistema Prosecco (Prosecco Doc, Asolo Prosecco e Valdobbiadene Prosecco Superiore) é o espumante mais representativo com 753 milhões de garrafas produzidas, dos quais 600 milhões são de Prosecco Doc. O Asti Docg volta a crescer com 102 milhões de garrafas a frente de Franciacorta, Trento Doc e Oltrepó Pavese. O sucesso dos espumantes italianos é fruto do aumento do mercado interno com um valor, de +27% mas também do forte aumento da demanda internacional que, com +29% em comparação a 2020, alcançou o volume de venda de 700 milhões de garrafas.

Se em volumes os espumantes italianos em suas diferentes denominações dominam as exportações, a França é que detém o recorde em valor das exportações de espumantes: graças as exportações e a fidelidade dos consumidores das grandes cuvées, o Champagne alcança, em 2021, um faturamento de 5,5 bilhões de Euros, apesar da média das exportações no período 2020-2021 ficar em 290 milhões de garrafas (4,9 bilhões de faturamento), abaixo de quanto registrado em 2019, período pré pandemia (300 milhões de garrafas por 5 bilhões de faturamento), conforme quanto divulgado por Jean-Marie Barillère, presidente da Union de Maisons de Champagne. Em 2021 as vendas de Champagne alcançaram as 322 milhões de garrafas (+32% em comparação a 2020), com o mercado interno registrando +25% por un total de 142 milhões de garrafas e com exportações em aumento (totalizando 182 milhões de garrafas).

Já o Cava, o método clássico espanhol, fica no meio entre o Prosecco e o Champagne no que diz respeito a produção, faturamentos e preços. Com base nas estimativas publicadas pelo Consejo Regulador da grande denominação espanhola, as vendas de Cava alcançaram 250 milhões de garrafas, com um crescimento de 16,45% em comparação a 2020 e acima dos níveis registrados em 2019. Cresce o mercado interno espanhol, mas de 4 garrafas produzidas 3 são destinadas a exportação, com os EUA que aumentaram o volume em 63%, ficando assim o segundo mercado de destino do Cava, só atrás da Alemanha.