Blog sobre tudo o que sempre quis saber sobre o mundo do VINHO, além de curiosidades, dicas e novidades
sábado, 12 de julho de 2025
OS VINHEDOS MAIS VALORIZADOS DA ITÁLIA
quinta-feira, 10 de julho de 2025
TENDENCIAS DO MERCADO DO VINHO DOS EUA EM 2025
Em conformidade a quanto evidenciado no relatório "2025 Bmo Wine Report” elaborado pelo Wine Industry Partners a “receita” para o mercado vitivinícola dos EUA numa perspectiva futura seria a de continuar a acreditar e a implementar o canal de vendas diretas e conquistar as novas gerações de consumidores.
Embora o mercado vinícola dos EUA continue a ser o maior do mundo, a procura dos consumidores foi mais fraca do que o previsto em 2024 e até no início de 2025, com uma queda de 4% no volume total do mercado (362 milhões de caixas). Mas o reves da moeda abre cenários positivos, com o diminuição do declínio dos volumes, o que pode significar “que o mercado está atingindo uma nova base para o crescimento futuro, se as vinicolas conseguirem aumentar as vendas diretas para compensar a estagnação das vendas de vinhos premium e a queda das vendas de vinhos de baixo preço”, afirma o relatório. A maioria das empresas vinicolas dos EUA e do Canadá continua confiante no aumento das vendas e espera um crescimento do mercado global. Mas será necessário um aumento da procura por parte dos consumidores mais jovens para que as cantinas realizem o seu potencial de crescimento nos próximos anos. O canal de venda que está sendo mais considerado é o das vendas diretas: quase 40% das adegas americanas e mais de 40% das adegas canadenses aumentaram as vendas em 2024, e grande parte deste crescimento provém das vendas diretas. Não é por acaso que mais de metade das empresas entrevistadas planeja investir mais nas suas salas de degustação e clubes de vinho com o objetivo de impulsionar as vendas diretas, que constituem a principal esperança para o aumento das vendas em 2025. A tendência do mercado parece confirmar esta decisão: em 2024, os consumidores da Geração Z, com idades compreendidas entre os 21 e os 27 anos, representavam uma quota maior nos clubes de vinho das adegas do que no ano anterior.
Quais as estratégias necessárias para travar o declínio do consumo: os novos dados, explica o relatório, revelam uma diminuição do consumo de álcool desde o início da pandemia, com as preocupações de saúde relacionadas com o álcool a motivarem a moderação. E embora a maioria dos consumidores regulares de vinho continue a beber uma taça pelo menos uma vez por semana e a comprar uma garrafa que custa cerca de 15 dólares por semana (e garrafas mais caras todos os meses), os consumidores mais jovens estão mais propensos a participar a eventos de abstenção como o Dry January.
No início deste ano, o sentimento dos viticultores era otimista quanto às perspectivas do setor, apesar das dificuldades do ano anterior. Mas os desafios aumentaram, a instabilidade política e económica tornou muito mais difícil a gestão das empresas e não há muitos sinais positivos de uma volta à estabilidade nos próximos meses. Devido ao excesso de estoques acumulados após o aumento das vendas durante os anos de pandemia, a grande distribuição e os varejistas reduziram as encomendas aos fornecedores de vinho. Muitos esperavam que as estoques acumulados fossem escoados durante as vendas de Natal, mas um quarto trimestre de 2024 decepcionante revelou que o desafio do consumo poderia ser mais significativo do que o previsto.
De acordo com o relatório, os impostos dos EUA e as medidas de retaliação impostas no início de 2025 deixaram o comércio vinícola em estado de choque, uma vez que o Canadá era o principal mercado para as exportações de vinho dos EUA. Segundo o relatório, “impostos de até 200% sobre as importações da UE seriam desastrosos para muitos varejistas, restaurantes e milhares de pessoas que trabalham no setor”. Existem, no entanto, razões para otimismo. O valor total do mercado vinícola dos EUA cresceu 4% em 2024 e muitas adegas norte-americanas registaram um crescimento de dois dígitos nas vendas, graças à expansão das vendas diretas e da distribuição.
Um dos maiores desafios que o vinho enfrenta continua sendo o de estabelecer ligações entre os consumidores mais jovens, uma vez que as vendas aos melhores clientes do vinho, a geração dos Baby Boomers, diminuem à medida que eles envelhecem. A Geração X não “abraçou” o vinho como os seus pais, os Millennials viram os seus anos de trabalho marcados por uma série de crises económicas e as gerações mais jovens estão cada vez mais fragmentadas nos seus interesses e motivações. Os jovens consumidores também parecem beber consideravelmente menos quando atingem a idade legal para consumir bebidas alcoólicas. De consequencia, após três décadas de crescimento constante, os profissionais do setor vitivinícola têm de se virar para descobrir novas formas de pensar e novas tecnologias na produção de vinho e, talvez ainda mais importante, nas vendas e no marketing do vinho.
De acordo com a empresa de estudos de mercado bw166, o valor total do mercado vinícola dos EUA em 2024 cresceu 4% para 109 bilhões de dólares, enquanto o volume diminuiu em 362 milhões de caixas. No mesmo periodo do ano passado havia indicações de que o mercado poderia ultrapassar a marca dos 400 milhões de caixas até ao final de 2025, se o tradicional aumento das vendas no último trimestre tivesse sido suficiente para recuperar o excesso de estoque dos atacadistas, bem como o aumento das vendas diretas e do varejo. Apesar das expectativas não terem se concretizado, há também um número que evidencia uma recuperação: em 2023, o volume do mercado dos EUA diminuiu quase 9%, mas a diminuição deu uma freada em 2024, marcando apenas -4%. De acordo com o relatório, os produtores americanos com um preço médio por garrafa superior a 20 dólares tiveram um melhor desempenho em 2024 do que aqueles com um preço médio inferior a 20 dólares. As adegas com um preço médio inferior a 20 dólares registaram uma queda acentuada nas vendas, enquanto as adegas com preços mais elevados permaneceram inalteradas em 2023.
Uma constante nos últimos anos tem sido a diminuição constante das vendas de vinhos com preços inferiores a 11 dólares nos supermercados. Estes vinhos têm sido vitais para os grandes produtores e, em 2024, registaram uma queda de mais 6%, para menos de 40 milhões de caixas, cerca de 40% menos do que uma década antes. No entanto, durante o mesmo período, as vendas de vinhos com preços superiores a 11 dólares cresceram na direção oposta, seguindo a tendência para a "premiumização" que ajudou o vinho a se recuperar da recessão de 2009. Na década anterior, o volume constante de vendas de vinhos de baixo preço, combinado com o aumento das vendas de vinhos de preço mais elevado, impulsionou o crescimento do mercado total. O declínio dos vinhos de baixo preço está agora a reduzi-lo, “obscuraando” o impacto dos vinhos de preço mais elevado. A despesa dos consumidores com bebidas alcoólicas manteve-se inalterada em 2% de todas as despesas pessoais desde 2017, já a diminuição das vendas de vinhos de baixo preço está mudando a paisagem da viticultura californiana. Em todo o Estado, os viticultores estão extirpando milhares de hectares de vinhedos.
Para a “típica” empresa vitivinicola dos EUA, o canal do atacado representa cerca de 30% do volume total de vendas, com as vendas diretas (no local e no varejo) que cobrem 14% e o restante que é constituído por vendas diretas ao consumidor. Para as empresas que produzem mais de 50 000 caixas por ano, as vendas no atacado cobrem mais de 60%, enquanto para aquelas com um preço médio superior a 20 dólares por garrafa, as vendas diretas representam 80% ou mais. A pesquisa do ano passado revelou que 41% de todas as empresas americanas tinham registado um aumento das vendas em relação ao ano anterior, percentagem que desceu para 36% na pesquisa mais recente. Para as empresas que aumentaram as vendas em 2024, o aumento médio foi de quase 22%, e as vendas diretas foram importantes. Em 2024, 71% das empresas previam um aumento das vendas totais no ano seguinte, mas no report deste ano estamos nos 62%, com a percentagem de adegas que estimam uma diminuição das vendas que subiu de de 6% para 13%.
A forma melhor de aumentar as vendas diretas, semelhante em todas as regiões, dimensões e gamas de preços, é investir na salas de degustação, no clube de vinhos e no marketing digital. O clube de vinhos e a sala de degustação representam mais de 50 por cento das vendas totais para mais de metade das adegas, com a maior percentagem entre as que produzem entre 1.000 e menos de 5.000 caixas (70 por cento).
terça-feira, 8 de julho de 2025
PORQUE A GERAÇÃO Z NÃO ABRAÇA O CONSUMO DO VINHO?
Culpar a Geração Z pela diminuição das vendas de vinho tornou-se um reflexo quase automático para o setor. Os números falam por si: esta geração, atualmente com idades compreendidas entre os 21 e os 28 anos, representa apenas 3,6% do total de gastos em bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. Mas o problema não é tanto “quanto” este grupo etário consome, mas “porque” o vinho - comparado com outras bebidas - tem dificuldade em fazer parte do seu mundo. Como Kate Dingwall salienta nas páginas da Wine Enthusiast, está se evidenciando uma verdade simples, muitas vezes ignorada: muitos jovens americanos não têm dinheiro para comprar vinho com regularidade. Num contexto de subida continua da inflação, salários estagnados e dívidas crescentes, o vinho - especialmente o vinho de gama média e alta - torna-se um bem ocasional e não quotidiano. Não é que a Geração Z não queira beber vinho: não tem dinheiro para compra-lo com regularidade. Reflitam: o custo médio de uma degustação básica em Napa Valley passou de 20 para 75 dólares em menos de uma década. Para muitos jovens de vinte e poucos anos, mesmo uma garrafa “barata” torna-se um luxo que pode ser adquirido de forma saltuária: basta pensar que uma garrafa de vinho “de entrada” no grande comércio varejista dos EUA custa em média 13-20 dólares, enquanto num restaurante o preço médio atinge facilmente 40-50 dólares. E esse não é somente um problemas dos EUA, maior mercado consumidor do mundo, mas também de vários outros paises mundo afora, sejam do velho que do novo mundo. No entanto, não é correto dizer que a Geração Z não gasta. Pelo contrário: de acordo com o Bank of America, muitos jovens gastam quase o dobro do que têm efetivamente em poupanças. Mas escolhem com muito cuidado. Viagens, moda, experiências personalizadas, produtos de auto-cuidado - estas são as áreas em que os gastos continuam fortes. O vinho, muitas vezes visto como elitista ou fora da sua “linguagem de valores”, fica fora do carrinho das compras
A questão fundamental não é apenas o preço, mas a distância cultural. Os jovens cresceram num mundo digital, fluido, inclusivo, atento às questões de identidade e autenticidade. O vinho, com as suas regras não ditas, as suas liturgias de conhecedor e uma estética ainda ancorada em paradigmas tradicionais, é um universo muito distante.
Outro nó crucial é o fato de a Geração Z ser a geração mais diversificada da história. Apenas 50% se identificam como brancos, em comparação com 71% dos Baby Boomers. Além disso, as mulheres são atualmente a maioria dos consumidores com menos de 25 anos e as estatísticas mostram que, em média, as mulheres consomem menos álcool do que os homens. Se o consumo global diminui, não é necessariamente porque ha menos interesse, mas porque a composição do público está diferente. E aqui também, o vinho não fala frequentemente a linguagem destas novas identidades e as campanhas publicitárias raramente representam esta diversidade. Os gostos de novos publicos continuam a ser menosprezados na oferta dominante: uma oportunidade perdida.
Uma das armadilhas mais insidiosas em que o setor do vinho corre o risco de cair é a da espera. “Quando forem mais velhos, começarão a beber vinho”, é o mantra tranquilizador. E, provavelmente, será esse o caso, em parte. Mas, entretanto? Entretanto, outros setores - como os "spirits" (aperitivos e cocktails) e as bebidas sem alcool - preenchem os espaços vazios. Não pode-se ficar estáticos: é a hora de mudar. Mudar a linguagem, os formatos, os canais de comunicação, as ocasiões de consumo. Tornar o vinho mais acessível, mais inclusivo, menos intimidante.
Se a Geração Z está mostrando que quer beber de forma diferente, isso não é um sinal de alarme: é uma oportunidade. O vinho pode reinventar-se como um produto experiencial, convivial, sustentável e descomplicado. Mas para fazer isso, tem de sair da sua zona de conforto. Como afirmou a produtora californiana Courtney M. Benham: "A geração Z não está desinteressada do vinho, está desconectada. Cabe-nos a nós construir uma ponte".
O QUE VCS ACHAM? Deixem comentários.
segunda-feira, 7 de julho de 2025
NOVO ESTUDO SOBRE OS EFEITOS BENEFICOS DOS FLAVONOIDES
Se precisava de uma desculpa extra para saborear um copo de vinho tinto ou uma barra de chocolate, uma nova investigação que exalta as virtudes de uma dieta rica em flavonóides vem em seu socorro. Os flavonóides encontram-se numa grande variedade de alimentos e bebidas, incluindo chá, frutas de bagos, maçãs, laranjas e vinhos tintos.
Na revista Nature Food, os investigadores afirmam que o consumo de uma mistura diversificada de alimentos ricos em flavonóides poderia ajudar a prolongar a vida, atenuando o desenvolvimento de certas condições de saúde, incluindo doenças cardiovasculares e neurológicas. De acordo com os seus estudos, é a variedade da dieta que proporciona os maiores benefícios. Os investigadores acompanharam mais de 120 000 pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 70 anos durante mais de uma década, através da base de dados UK BioBank. Este estudo é significativo na medida em que os resultados indicam que o consumo de uma maior quantidade e de uma maior variedade de flavonóides tem o potencial de conduzir a uma maior redução das doenças do que o consumo de uma única fonte", afirmou o Professor Aedín Cassidy, corresponsável pelo estudo e da Escola de Ciências Biológicas da Queen's University Belfast.
Os autores do estudo escreveram: "A análise dos alimentos ricos em flavonóides mostrou que os indivíduos com a diversidade mais baixa consumiam sobretudo chá, enquanto os indivíduos com a diversidade mais elevada consumiam relativamente mais frutas de bagos, maçãs, uvas, vinho tinto e laranjas. Outros fatores relacionados com o estilo de vida podem também ser importantes. De acordo com o estudo, os indivíduos com a maior diversidade de consumo de flavonóides eram também mais ativos fisicamente e menos susceptíveis de serem fumadores.
O professor Cassidy disse ao portal Web Decanter que o estudo mostra que “cinco porções diferentes de flavonóides foram associadas aos maiores benefícios: sabemos que há muitas fontes, mas o vinho tinto é uma delas (com moderação, claro)”.
As principais fontes de flavonóides incluem o chá, frutas de bagos, frutas citricas, as uvas, as ameixas, a couve roxa e o cacau.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
AUMENTA A CONTRAFAÇÃO DO VINHO. A TOSCANA É A REGIÃO ITALIANA MAIS PREJUDICADA
As regiões francesas da Borgonha, Bordeaux e Champagne, as espanholas Rioja e Ribera del Duero, a californiana Napa Valley nos Estados Unidos e até a Toscana. Todas elas, além do prestígio dos seus vinhos, compartilham também uma primazia nefasta que pode ser atribuída às suas denominações: são as zonas geográficas mais afetadas pelo fenómeno das garrafas falsificadas, segundo a Catawiki, o market place de objetos únicos e coleccionáveis. Que, por sua vez, se depara frequentemente com produtos falsificados que, interceptados por especialistas, não podem ser leiloados e, para a plataforma, um dos setores que registou o maior crescimento a este respeito foi o do vinho, que em 2024 registou um aumento de 28% no número de lotes bloqueados. "A evolução da contrafação no mundo do vinho é muito semelhante à do mercado dos vinhos finos. Hoje em dia, as falsificações encontram-se sobretudo nos vinhos com preços superiores a 200 euros, porque são mais fáceis de não serem percebidos e menos susceptíveis de serem suspeitados“, explica Mattia Garon, especialista em vinhos da Catawiki, acrescentando que ”esta onda não é constante“ e que ”as falsificações seguem as tendências do mercado: aumentam quando uma região ou um produtor se tornam subitamente populares". E, ao contrário de um relógio ou de uma bolsa, o vinho é um bem perecível e, uma vez aberta, a garrafa não deixa vestígios e não admite uma segunda inspeção, por isso é essencial descobrir a falsificação antes de abrir a garrafa.
As pistas são sempre as mesmas, mas três, segundo a Catawiki, foram os sinais mais recorrentes em 2024: a falsa rotulagem, a reutilização de garrafas e a adulteração de rolhas. O primeiro é um dos sinais mais visíveis, mas também um dos mais sofisticados. Os rótulos falsos podem parecer autênticos à primeira vista, mas muitas vezes têm pormenores errados ou gráficos imperfeitos. Os erros mais comuns, de acordo com a plataforma, incluem o posicionamento incorreto da informação sobre o teor alcoólico, fontes inconsistentes e logótipos desalinhados em relação ao layout original.
Uma técnica “clássica”, mas ainda muito difundida, é também a da reutilização das garrafas: os contrafatores enchem as caixas vazias autênticas com um vinho completamente diferente, depois as selam e reembalam. Por vezes, a anomalia, explicam os especialistas, tem a ver com a forma da própria garrafa: por exemplo, um molde de vidro dos anos 50 utilizado para simular uma garrafa dos anos 80. Outras vezes, é o peso, as marcas ou a cor do vidro que suscitam dúvidas: a reutilização de garrafas é particularmente comum nos vinhos vintage, onde a rastreabilidade é mais complexa. Mas mesmo quando a garrafa parece intacta e autêntica, o vinho no seu interior pode não o ser.
Assim, até a rolha pode contar outra história: alguns falsificadores retiram as rolhas originais, voltam a encher a garrafa e depois inserem uma nova rolha com dados falsos.
De acordo com os dados da Catawiki, os vinhos mais frequentemente falsificados em 2024 partilham três caraterísticas fundamentais: valor elevado, produção limitada e forte apetência para coleccionadores. Não é por acaso que os vinhos mais “falsificados” provêm de regiões do mundo (Borgonha, Bordéus, Champagne, Toscana, Rioja, Ribera del Duero e Napa Valley) cujas denominações respondem a estas caraterísticas e também a determinados preços: os vinhos com uma gama de preços média superior a 200 euros são, de fato, cada vez mais visados pela sua maior acessibilidade e margem de lucro.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
MUDANÇAS CLIMATICAS - 70% DAS ÁREAS DE PRODUÇÃO PODEM DESAPARACER
sexta-feira, 27 de junho de 2025
BORDEAUX PERDEU, DESDE 2019, 27.000 HECTARES DE VINHEDOS
Além da crise do vinho francês e dos vinhedos em Bordeaux, há ainda outra estatística alarmante: a redução das superficies plantadas de videiras entre 2019 e 2025. Isso, de acordo com um relatório do Agreste, o escritório de estatísticas do Ministério da Agricultura da França, caiu de 119.000 hectares nos últimos seis anos para menos de 92.000, que serão usados para a próxima colheita no outono, uma queda de 15%. Soma-se a isso o fato de que, como é de conhecimento público, somente de 2023 a 2025, no âmbito do plano de extirpação lançado pelo governo francês para reequilibrar a oferta e a demanda, 18.000 vinhedos foram arrancados após dois planos de ajuda em andamento (o plano regional de saúde de 6.000 euros por hectare e o plano nacional final de 4.000 euros por hectare). No entanto, as contas ainda não batem e um novo plano de extirpação adicional está sendo considerado.
A Agreste também divulgou dados sobre o impacto da crise no emprego, informando que, entre 2019 e 2023 (antes do primeiro plano de extirpação), “o número de trabalhadores no setor vinícola em Gironde caiu 15%, com uma queda total de 7.404 funcionários e trabalhadores autônomos”. Esses números foram publicados há alguns dias, em ocasião da adoção final pelo Parlamento francês de um texto que incentiva os viticultores de todo o país a extirpar os vinhedos abandonados, pois são focos de doenças, como a flavescência dourada, que correm o risco de contaminar os outros vinhedos vizinhos. A medida, conforme já publicamos aqui em um texto anterior, também endureceu as penalidades para aqueles que não arrancarem as vinhas não cultivadas, com multas de 1.500 euros e 3.000 euros no caso de reincidência.
-
Antinori, uma das referências mais prestigiadas da enologia mundial, sinônimo por excelência do vinho italiano (liderada por Albiera Antin...
-
Um ano de 2025 complicado para o mundo do vinho, incluindo o francês que, ao contrário do que aconteceu na Itália, já havia registrado uma ...
-
Durante anos, o mundo do vinho descreveu seu futuro com as palavras do passado: território, variedade de castas, denominação, safra. Palavra...