O setor vitivinícola mundial continua passando por uma fase de transformação estrutural. Em 2025, a superfície plantada com vinhedos diminuiu pelo sexto ano consecutivo, enquanto a produção, o consumo e o comércio internacional continuam sob pressão em um contexto marcado pelas mudanças climáticas, incertezas econômicas e mudanças nos hábitos dos consumidores. No entanto, a Itália e a França continuam sendo líderes em produção, exportação e consumo (superadas, neste último caso, pelos Estados Unidos, enquanto a Espanha mantém o recorde de maior superfície plantada).
As informações acima fazem parte do relatório sobre a “Situação do setor vitivinícola mundial” de 2025, apresentado poucos dias atrás em Lyon pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). De acordo com as últimas estimativas, a área mundial plantada totalizou 7 milhões de hectares, uma queda de 0,8% em relação a 2024. Essa redução reflete o ajuste progressivo da capacidade produtiva por parte dos principais países vitícolas de ambos os hemisférios, que enfrentam uma demanda mais fraca e mercados cada vez mais instáveis. A produção mundial de vinho também permanece em níveis historicamente baixos. Estima-se que, em 2025, ela chegue a 227 milhões de hectolitros, apenas 0,6% a mais do que o mínimo registrado em 2024. As condições climáticas continuam, de fato, a afetar fortemente as colheitas: secas, eventos extremos e forte variabilidade meteorológica limitaram a produtividade em várias regiões vitivinícolas. A isso se somam as decisões de algumas regiões de reduzir voluntariamente a produção para conter os excedentes e sustentar o mercado.
No que diz respeito à demanda, o consumo mundial de vinho está estimado em 208 milhões de hectolitros, o que representa uma queda de 2,7% em relação ao ano anterior. Uma tendência que confirma a evolução em curso nos mercados maduros, onde mudam os estilos de vida, os hábitos sociais e as preferências das novas gerações. Também pesam a inflação e a desaceleração econômica, que reduziram o poder de compra dos consumidores. Nesse cenário, alguns mercados se destacam, no entanto, por seu dinamismo. Portugal, Brasil e Japão estão entre os países que, em 2025, registraram um crescimento no consumo, juntamente com algumas regiões da Europa Central e Oriental.
O comércio internacional também enfrenta dificuldades. As exportações mundiais de vinho caíram para 94,8 milhões de hectolitros (-4,7%), enquanto o valor total das transações comerciais diminuiu para 33,8 bilhões de euros (-6,7%). Apesar da contração, os valores continuam, no entanto, acima dos níveis registrados antes da pandemia. O que está travando o comércio é, sobretudo, a desaceleração da demanda global, as tensões comerciais e as incertezas relacionadas às políticas tarifárias, em particular no mercado norte-americano. Os Estados Unidos, o maior mercado mundial em termos de valor de importações, viram as compras de vinho estrangeiro caírem para 5,5 bilhões de euros, o que representa uma redução de 12% em relação a 2024.
Apesar do panorama complexo, o mercado global de vinhos parece hoje estar substancialmente em equilíbrio. Pelo terceiro ano consecutivo, de fato, a produção mundial permanece relativamente baixa, o que contribui para limitar o acúmulo de estoques. A diferença entre produção e consumo em 2025 está estimada em cerca de 18,7 milhões de hectolitros, mas esse dado deve ser interpretado levando em conta também os usos industriais do vinho — desde a destilação até a produção de vinagre, passando pelos produtos derivados e pelas bebidas destiladas —, que absorvem, em média, cerca de 30 milhões de hectolitros por ano. Um equilíbrio frágil, portanto, mas que, por enquanto, permite ao setor evitar desequilíbrios mais profundos num contexto internacional ainda marcado por forte volatilidade.
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