segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

REVOLUÇÃO NA PRODUÇÃO DE VINHOS NA FRANÇA

 Na França, cai também o último tabu: luz verde para a adição de açúcar (chaptalização) aos vinhos tranquilos DOP (AOC na França). Trata-se de uma pequena revolução para a França, segundo maior produtor mundial de vinho, ditada pela dupla necessidade de sair da crise do setor e se adequar ao gosto das novas gerações, que preferem vinhos mais suaves. A adição de açúcar obtido do mosto de uva é atualmente permitida para vinhos IGP e Champanhes. 

Agora, as autoridades francesas, em particular o Comitê de Vinhos DOP, no âmbito do INAO (Instituto Nacional de Origem e Qualidade, subordinado ao Ministério da Agricultura), deram o próprio OK – a partir de 1º de novembro – também para os vinhos tranquilos, mas estabelecendo limites precisos: a edulcoração será possível se o produto final não contiver açúcares residuais fermentáveis (frutose e glicose) em quantidades superiores a 9 gramas por litro. Há vários anos, na França, se discute se essa prática deve ou não ser permitida também para vinhos com denominação de origem. Evidentemente, as pressões da base e da indústria, que enfrentam grandes dificuldades no mercado, considerando também as novas preferências dos consumidores, fizeram com que esse tabu fosse quebrado e levaram o governo a abrir novas oportunidades. Em outras palavras, a França procura adaptar-se rapidamente ao momento histórico com uma medida que segue a linha do plano de resgate do setor, anunciado no final de Novembro pela ministra da Agricultura, Annie Genevard.

Bordeaux e Côtes-du-Rhône são as duas regiões vinícolas que, segundo a imprensa francesa, poderiam se beneficiar principalmente dessa medida que, antes de entrar em vigor, deverá ser aprovada pelos Consórcios de Tutela das regiões.O INAO impôs, obviamente, limites rigorosos à prática de edulcoração, que inclui vinhos tintos, brancos e rosados e que deve ser realizada dentro dos limites territoriais da AOC ou nas proximidades, com base em mostos (frescos, concentrados ou concentrados-retificados) obtidos a partir de uvas da mesma denominação.

Há vários anos, já no período pré-pandêmico, os próprios produtores de Bordeaux levantaram a questão, sinalizando grandes dificuldades em satisfazer o gosto dos consumidores devido à excessiva secura de seus vinhos. Entre eles, o claret, um vinho tinto fácil de beber. Para este produto, as novas regras de produção poderão ser apresentadas ao Consórcio já em fevereiro próximo, para que possam receber a aprovação definitiva no final da primavera. O objetivo final é atender às faixas etárias mais jovens, ou seja, a geração Z.